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47. Da inteligência à inovação!

Basta abrirmos um jornal. Em qualquer parte do mundo. A diversidade de acontecimentos noticiados, opiniões e comentários reflectem uma sociedade feita de contradições. E se acreditarmos que esta situação se deve aos tempos modernos é pegar num manual de História e logo se percebe que o comportamento humano sempre foi assim.

Erradamente vemos a inteligência humana como uma manifestação de um cérebro racional, funcionando como um computador. Ora se avaliarmos tudo aquilo que tem sido fruto da inteligência verificaremos que não é bem assim. A inteligência também é feita de loucura quanto baste. Não fosse isso e nem eu nem o leitor estariamos aqui ligados pela internet. Andaríamos por aí vivendo em cavernas e levando uma vidinha de primitivos.

Não sei quem inventou (ou descobriu) a roda. Não fosse o sujeito um pouco louco e não saberia o que fazer com o objecto. Louco foi também aquele que, vendo troncos a flutuar nos cursos de água, inventou a primeira jangada. Loucos foram todos aqueles que, fascinados com o voo das aves, imaginaram que algum dia o poderiam fazer também. E não foram também loucos aqueles que, em pleno século XVIII, registaram em Londres uma empresa de aviação para ligar a Inglaterra à Índia?!

Inteligência bem sucedida requer ousadia, correr riscos, inovar, criar, alterar, modificar, inventar. Não exige isto alguma loucura? Claro que sim. Não tenha dúvidas. Se quer ser uma pessoa considerada inteligente e inovadora tem de fazer algo mais do que exibir um resultado elevado em testes de Q.I.

Na vida de todos os dias, as manifestações da melhor inteligência são sempre pautadas por algum atrevimento intelectual, algum espírito de explorador e algum devaneio. Sem isso, a inteligência é meramente computacional, determinista e biológica. Seríamos incapazes de fazer coisas novas, tentar procedimentos inovadores. A vida seria um tédio.

E como é nas empresas? Será que isto também faz sentido? Em minha modesta opinião sim. Sem discernimento actuante mas enriquecido com algumas ideias loucas (ou quase loucas) as empresas teriam dificuldade em sobreviver. E no futuro, será ainda mais necessário.Por isso mesmo será útil que alguns loucos estejam ao serviço da empresas. É uma jogada arriscada mas não se pode deixar de apostar nessas mentes lunáticas! São eles que abrem caminho para novas ideias, algumas totalmente inacessíveis aos cérebros mais preocupados em manter o mundo como está.

Aliás, o desconhecido, que só pode ser vencido pelos mais ousados, mete medo a muita gente altamente cotada. Por isso, preferem viver no conforto das suas certezas. O que lhes reduz o campo de manobra que a mudança efectiva exige (nas organizações, por exemplo).

O tal sujeitinho que inventou (ou descobriu) a roda deve ter sido chamado de louco. "Uma roda? Para que serve uma porcaria dessas?- terão indagado os mais curiosos. "Para nada" - terão determinado os cépticos. Felizmente que o dito homem era ainda mais louco do que eles pensavam. Arranjou uma aplicação útil. E assim deu origem à Idade Tecnológica. (texto de Nelson S. Lima).