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46. Desafios da Era da Inteligência

A actual era exige dos gerentes e administradores novas competências e sobretudo novos talentos. Já não basta ter vocação ou paixão pelos negócios. Isso não é garantia de sucesso. Agora é preciso mais, muito mais.
As empresas sentem-se cada vez mais na necessidade de contratarem os melhores colaboradores, não apenas os das posições superiores mas também os que desempenham actividades mais rotineiras e até aqui pouco estimadas como a das recepcionistas. Na verdade, a era que vivemos já não é a da informação e do conhecimento. Estamos sim na era da inteligência e do pensamento competitivo.
A inovação em gestão e em governação é vital. A actual crise financeira internacional é o reflexo de mudanças subterrâneas que estavam acontecendo e que anunciavam a nova era. Quase todas as empresas, mesmo as mais bem dotadas de genialidade, foram apanhadas de surpresa e assistem, incrédulas, ao desmoronar de crenças, normas, práticas, ideias e processos que serviram adequadamente na sociedade fabril mas que se tornaram quase inúteis nos novos tempos.
É tempo de pensar rapidamente no que fazer. É urgente inovar na gestão. Não basta o apoio dos governos para a crise económica que afecta todo o mundo. Isso será apenas uma panaceia para cobrir problemas financeiros imediatos. É tempo de agir e preparar o futuro que já está à nossa frente.
A inovação passará também pelo ensino e a formação, sectores que em geral se encontram desajustados das necessidades da era da inteligência. Um novo tipo de pensamento prático se torna urgente desenvolver nas escolas, nas universidades e nas empresas.
Finalmente, as leis de Darwin – que explicam a evolução dos sistemas vivos – estão mais actuais do que nunca no mundo empresarial: só os mais fortes, competitivos e inteligentes sobreviverão. Mas, ao contrário do que se passa no reino animal, onde a evolução acontece geralmente de forma gradual, sem grandes rupturas e descontinuidades, no mundo das instituições e das empresas, a evolução pode ser marcada por grandes saltos, bruscas viragens de direcção e eventos muito rápidos e imprevisíveis.
Assim sendo, razão terão alguns visionários que profetizam o desaparecimento de mais de 80% das empresas actuais nos próximos 5 a 10 anos em todo o mundo! É que poucas terão massa cinzenta apurada para discernir sobre o que fazer realmente. Continuarão agindo como na era fabril, incrédulas perante o infortúnio e a surpresa da mudança. Fecharão suas portas. Felizmente para a sociedade e a economia, ficarão aquelas que estão despertas para a natureza das transformações que terão de enfrentar e também as empresas de nova geração que estão desabrochando no horizonte.
Finalmente, deixem-me que lhes diga o seguinte: as empresas atuais não podem agir como fizeram os proprietários das diligências do século XIX quando se aperceberam que o caminho de ferro podia ditar o seu fim. Durante anos protestaram contra o novo meio de transporte, clamaram por apoios dos governos e dos parlamentos. Lançaram boatos. Atentaram contra ferrovias. Fizeram explodir locomotivas. Nada feito. Há muito tempo que não há diligências nas estradas.
Os tempos que vivemos são complexos e tempestuosos. Mas o mundo ficará melhor servido, com renovadas e melhores empresas, quando a turbulência abrandar.
Ver texto completo de Nelson S. Lima em www.ogerente.com.br
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