Da inteligência à inovação!

Basta abrirmos um jornal. Em qualquer parte do mundo. A diversidade de acontecimentos noticiados, opiniões e comentários reflectem uma sociedade feita de contradições. E se acreditarmos que esta situação se deve aos tempos modernos é pegar num manual de História e logo se percebe que o comportamento humano sempre foi assim.

Erradamente vemos a inteligência humana como uma manifestação de um cérebro racional, funcionando como um computador. Ora se avaliarmos tudo aquilo que tem sido fruto da inteligência verificaremos que não é bem assim. A inteligência também é feita de loucura quanto baste. Não fosse isso e nem eu nem o leitor estariamos aqui ligados pela internet. Andaríamos por aí vivendo em cavernas e levando uma vidinha de primitivos.

Não sei quem inventou (ou descobriu) a roda. Não fosse o sujeito um pouco louco e não saberia o que fazer com o objecto. Louco foi também aquele que, vendo troncos a flutuar nos cursos de água, inventou a primeira jangada. Loucos foram todos aqueles que, fascinados com o voo das aves, imaginaram que algum dia o poderiam fazer também. E não foram também loucos aqueles que, em pleno século XVIII, registaram em Londres uma empresa de aviação para ligar a Inglaterra à Índia?!

Inteligência bem sucedida requer ousadia, correr riscos, inovar, criar, alterar, modificar, inventar. Não exige isto alguma loucura? Claro que sim. Não tenha dúvidas. Se quer ser uma pessoa considerada inteligente e inovadora tem de fazer algo mais do que exibir um resultado elevado em testes de Q.I.

Na vida de todos os dias, as manifestações da melhor inteligência são sempre pautadas por algum atrevimento intelectual, algum espírito de explorador e algum devaneio. Sem isso, a inteligência é meramente computacional, determinista e biológica. Seríamos incapazes de fazer coisas novas, tentar procedimentos inovadores. A vida seria um tédio.

E como é nas empresas? Será que isto também faz sentido? Em minha modesta opinião sim. Sem discernimento actuante mas enriquecido com algumas ideias loucas (ou quase loucas) as empresas teriam dificuldade em sobreviver. E no futuro, será ainda mais necessário.Por isso mesmo será útil que alguns loucos estejam ao serviço da empresas. É uma jogada arriscada mas não se pode deixar de apostar nessas mentes lunáticas! São eles que abrem caminho para novas ideias, algumas totalmente inacessíveis aos cérebros mais preocupados em manter o mundo como está.

Aliás, o desconhecido, que só pode ser vencido pelos mais ousados, mete medo a muita gente altamente cotada. Por isso, preferem viver no conforto das suas certezas. O que lhes reduz o campo de manobra que a mudança efectiva exige (nas organizações, por exemplo).

O tal sujeitinho que inventou (ou descobriu) a roda deve ter sido chamado de louco. "Uma roda? Para que serve uma porcaria dessas?- terão indagado os mais curiosos. "Para nada" - terão determinado os cépticos. Felizmente que o dito homem era ainda mais louco do que eles pensavam. Arranjou uma aplicação útil. E assim deu origem à Idade Tecnológica. (texto de Nelson S. Lima).

Investir: razão e emoção!

Investir é, geralmente, uma actividade de risco na medida em que trabalha com cenários de futuro e, como tal, isso implica lidar com numerosos factores imprecisos, a ambiguidade e a imprevisibilidade. O nível de risco aumenta quanto maior for o número de "actores" em jogo. Neste domínio, os factores de natureza pessoal que influenciam a forma como uma pessoa decide investir prendem-se sobretudo com a sua personalidade e a forma como a sua mente lida com a subjectividade e a incerteza. Factores biológicos (como o temperamento), psicológicos (como o estilo cognitivo) e culturais (como a educação) fazem com que cada investidor obedeça a um padrão de comportamento muito particular nas suas escolhas e tomadas de decisão.
Para ler todo o texto clique aqui >> Investir: razão e emoção!

46. Desafios da Era da Inteligência

A actual era exige dos gerentes e administradores novas competências e sobretudo novos talentos. Já não basta ter vocação ou paixão pelos negócios. Isso não é garantia de sucesso. Agora é preciso mais, muito mais.
As empresas sentem-se cada vez mais na necessidade de contratarem os melhores colaboradores, não apenas os das posições superiores mas também os que desempenham actividades mais rotineiras e até aqui pouco estimadas como a das recepcionistas. Na verdade, a era que vivemos já não é a da informação e do conhecimento. Estamos sim na era da inteligência e do pensamento competitivo.
A inovação em gestão e em governação é vital. A actual crise financeira internacional é o reflexo de mudanças subterrâneas que estavam acontecendo e que anunciavam a nova era. Quase todas as empresas, mesmo as mais bem dotadas de genialidade, foram apanhadas de surpresa e assistem, incrédulas, ao desmoronar de crenças, normas, práticas, ideias e processos que serviram adequadamente na sociedade fabril mas que se tornaram quase inúteis nos novos tempos.
É tempo de pensar rapidamente no que fazer. É urgente inovar na gestão. Não basta o apoio dos governos para a crise económica que afecta todo o mundo. Isso será apenas uma panaceia para cobrir problemas financeiros imediatos. É tempo de agir e preparar o futuro que já está à nossa frente.
A inovação passará também pelo ensino e a formação, sectores que em geral se encontram desajustados das necessidades da era da inteligência. Um novo tipo de pensamento prático se torna urgente desenvolver nas escolas, nas universidades e nas empresas.
Finalmente, as leis de Darwin – que explicam a evolução dos sistemas vivos – estão mais actuais do que nunca no mundo empresarial: só os mais fortes, competitivos e inteligentes sobreviverão. Mas, ao contrário do que se passa no reino animal, onde a evolução acontece geralmente de forma gradual, sem grandes rupturas e descontinuidades, no mundo das instituições e das empresas, a evolução pode ser marcada por grandes saltos, bruscas viragens de direcção e eventos muito rápidos e imprevisíveis.
Assim sendo, razão terão alguns visionários que profetizam o desaparecimento de mais de 80% das empresas actuais nos próximos 5 a 10 anos em todo o mundo! É que poucas terão massa cinzenta apurada para discernir sobre o que fazer realmente. Continuarão agindo como na era fabril, incrédulas perante o infortúnio e a surpresa da mudança. Fecharão suas portas. Felizmente para a sociedade e a economia, ficarão aquelas que estão despertas para a natureza das transformações que terão de enfrentar e também as empresas de nova geração que estão desabrochando no horizonte.
Finalmente, deixem-me que lhes diga o seguinte: as empresas atuais não podem agir como fizeram os proprietários das diligências do século XIX quando se aperceberam que o caminho de ferro podia ditar o seu fim. Durante anos protestaram contra o novo meio de transporte, clamaram por apoios dos governos e dos parlamentos. Lançaram boatos. Atentaram contra ferrovias. Fizeram explodir locomotivas. Nada feito. Há muito tempo que não há diligências nas estradas.
Os tempos que vivemos são complexos e tempestuosos. Mas o mundo ficará melhor servido, com renovadas e melhores empresas, quando a turbulência abrandar.
Ver texto completo de Nelson S. Lima em http://www.ogerente.com.br/

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45. Geração Y chega à liderança!

Trabalhar com jovens é um desafio constante. Cada geração é fruto da educação que recebeu de seus pais e também da interacção com o ambiente e a sociedade. Nos últimos anos, o mundo vem passando por diversas revoluções, que alteraram profundamente o comportamento das pessoas.

O surgimento da internet e a revolução digital, por exemplo, trouxeram avanços sem precedentes. No mundo do trabalho, isso traz um desafio interessante: começam a chegar ao mercado os jovens que cresceram regidos pelos bits e bytes do mundo digital.
Chamados de geração Y, esses jovens têm menos de 30 anos e possuem características muito próprias - e o choque cultural acontece quando passam a ser comandados pelo pessoal de outras gerações.
Mais do que evitar conflitos, ter uma política de recursos humanos que entenda a geração Y pode trazer um excelente ganho de productividade. Moldados pelo imediatismo da internet, a geração Y necessita de estímulos para desafiá-la a oferecer o que tem de melhor: a ousadia, a criatividade, a facilidade para realizar tarefas múltiplas e o espírito questionador.
Algumas dessas características, inerentes no espírito dos jovens, foram levadas ao paroxismo pelo mundo contemporâneo. De um lado, seus pais, libertários da década de 60, que viveram a utopia do "é proibido proibir", estimularam ao máximo o espírito contestador dos jovens. O acesso fácil às informações, trazido pela internet, temperou o caldo de cultura.
O resultado é que, para extrair ao máximo as potencialidades dessa talentosa geração, é necessário abrir-se ao diálogo. Fazê-los entender é muito mais producente do que simplesmente mandar. Para essa geração, a hierarquia não é um argumento-fim. Sem contar a falta de formalidade desses jovens, cuja educação sempre privilegiou a individualidade - e suas manifestações.
Outra característica marcante dos jovens da geração Y é a capacidade de realizar diversas tarefas ao mesmo tempo. Não surpreende mais encontrar um deles falando ao telemóvel, digitando no MSN e assistindo TV, enquanto come. Ao mesmo tempo em que isso comprova as habilidades multifacetadas necessárias para conseguir equilibrar diversas actividades, muitas vezes esse aspecto também vem junto com a dificuldade de esperar a concretização de um projeto de longo prazo.
A tendência a dispersar a concentração não é algo incomum. Para fugir dessa armadilha e buscar a maior produtividade da geração Y, uma das alternativas é, por exemplo, dividir um projecto mais longo em etapas mais curtas, com metas e prazos predeterminados, cujos resultados podem ser obtidos com maior rapidez.
Com características tão peculiares, principalmente para a geração anterior - que teve de se adaptar, à marra, às modernidades tecnológicas, e para quem o mundo digital não é o habitat natural, é compreensível que surjam dificuldades na comunicação entre eles.
No call center, por exemplo, que é provavelmente o sector da economia que mais emprega jovens, esse desafio é permanente. Mas, também, muito gratificante, pois essa nova geração induz à renovação e traz um espírito de inovação às empresas - e ambas as características são a alma da sobrevivência, no longo prazo, de qualquer negócio. As empresas precisam rever a sua formação e sistemas de avaliação de resultados, para melhor refletir o mundo contemporâneo e os jovens que ajudarão a construir o futuro.
Texto de Alexandra Periscinoto, presidente da empresa de call center SPCOM (Brasil), que tem mais de 4 mil funcionários - a imensa maioria com menos de 30 anos.

5 inovações que vão mudar o nosso mundo!

A tecnologia faz parte da nossa vida e vai mudando as nossas necessidades à medida que também vai evoluindo. A lista das inovações com potencial de mudança sobre a forma como as pessoas trabalharão, viverão e jogarão nos próximos cinco anos foi agora divulgada pela IBA. Descubra quais são.

Para começar, as tecnologias de poupança de energia solar serão utilizadas no asfalto, nas tintas e até nas janelas. No próximos cinco anos, a energia solar será uma opção acessível para si e para os seus vizinhos, de acordo com o terceiro relatório anual «IBM Next Five in Five».

Até agora, os materiais e os processos para produzir células solares conversíveis em energia solar eram demasiado caros e não permitiam uma adopção generalizada. Com a criação de células solares «thin-film» a situação vai inverter-se, na medida em que estas células são cem vezes mais finas que as células de silicone e podem ser produzidas a preços mais baixos.
Pode surpreende-lo, mas ao que a IBM indica terá uma bola de cristal para saber o estado da sua saúde.

Nos próximos cinco anos, o seu médico será capaz de fornecer um mapa genético que lhe dirá que riscos de saúde enfrentará e quais poderá evitar durante a vida, baseando-se no seu DNA. E tudo isto por menos de 200 dólares (cerca de 155 euros). «Desde que os cientistas descobriram como mapear o genoma humano que novas portas se abriram no sentido de desvendar os segredos dos nossos genes e, assim, prever tratamentos de saúde», sustentam.


Os médicos, por um lado, poderão utilizar esta informação para recomendar mudanças nos estilos de vida e de comportamentos. As empresas farmacêuticas, por seu lado, poderão desenvolver novos e eficientes medicamentos personalizados, à medida das necessidades de cada paciente. «Neste contexto, o mapa genético transformará radicalmente a saúde nos próximos cinco anos e vai ajudá-lo a tomar melhor conta de si mesmo».


Outra inovação será o poder falar para a Internet e a Internet responder-lhe. A forma de aceder à Internet «vai alterar-se radicalmente» nos próximos cinco anos. No futuro, será capaz de surfar na Internet num modo mãos-livres, recorrendo apenas à voz e deixando de ser necessário o teclado, por exemplo.


As novas tecnologias mudarão a forma como as pessoas criam, constroem e interagem com os sites de informação e comércio electrónico, na medida em que a voz substituirá o texto. Imagine enviar e responder a emails e mensagens instantâneas sem escrever. Terá a capacidade de procurar verbalmente na Internet a informação e recebê-la de volta, como se estivesse a ter uma conversa com a rede.


Poderá ter as suas próprias assistentes digitais de compras. Já alguma vez lhe aconteceu estar numa loja apertada e não encontrar ninguém que ajude a procurar o que precisa? E os amigos já lhe disseram que determinada roupa fica-lhe mesmo a matar? Nos próximos cinco anos, os consumidores confiarão muito em si mesmos e nas opiniões dos seus pares para tomar decisões relativamente às compras que fazem, não esperando pela ajuda dos assistentes das lojas. Uma combinação de novas tecnologias e da nova geração de aparelhos móveis trará progressos significativos à experiência de comprar.


Por fim, mas não menos importante: esquecer-se tornar-se-à uma memória distante. O excesso de informação não o deixa dormir? Esqueça-a. Nos próximos cinco anos será muito mais fácil lembrar-se do que comprou na mercearia ou que tarefas têm de ser feitas, com quem falou numa conferência, quando e onde combinou encontrar-se com um amigo, ou que produto viu publicitado no aeroporto. Tudo isso será possível porque os detalhes da vida do dia-a-dia serão gravados, guardados, analisados e disponibilizados por aplicações inteligentes portáteis e estáticas, no momento e lugar apropriados (fonte Agência Financeira).

A mente humana – com todos os atributos, potencialidades e mistérios que lhe são reconhecidos – continua a ser um tema sedutor e aberto às mais variadas abordagens (filosóficas, biológicas, neuropsicológicas, etc.). Produto da actividade concertada de grandes aglomerações de células cerebrais altamente especializadas e de um complexo metabolismo que só agora começa a ser compreendido, a mente humana cumpre numerosas funções que se exprimem em diferentes planos.

Graças à evolução bem sucedida do sistema cérebro-mente, a história da Humanidade é um percurso empolgante de conquistas. Em não muitos milhões de anos vencemos uma série de etapas evolutivas e, chegados ao século XXI, eis-nos senhores de uma sociedade multifacetada, complexa e altamente competitiva - produto, afinal, da dinâmica interacção entre o exercício do pensamento e os desafios da vida.

A história da humanidade reflecte assim, desde os seus primórdios, o resultado da nossa inteligência criativa. Em poucos milénios desbravámos territórios inóspitos e levantámos civilizações. Rapidamente percebemos que tínhamos o poder de exercer transformações no que antes parecia imutável. A criatividade tornou-se a grande força da nossa inteligência. De simples recoletores e caçadores passámos rapidamente a inventores, técnicos e artistas. E com isso modificamos completamente a face do planeta e a história do nosso Mundo.

Agora, em plena Era do Conhecimento, o intelecto perfila-se como um capital de valor inestimável. Já ninguém duvida que a riqueza das nações, das comunidades e das organizações (seja de que tipo forem) depende mais dos recursos intelectuais – inteligência, criatividade e conhecimento – do que qualquer bem tradicional, incluindo o próprio dinheiro. De facto, a força muscular e o trabalho das máquinas estão rapidamente a ser substituídos pela inteligência.

Na exigente sociedade de hoje só as pessoas que invistam seriamente no capital intelectual de que dispõem (inteligência, criatividade e conhecimento) poderão aspirar a lugares destacados no mundo do trabalho. Aprender mais e mais e durante toda a vida tornou-se numa exigência da Era do Conhecimento.

Revista NEUROCIÊNCIAS & NEGÓCIOS

Receba em formato PDF mensalmente.
Assinatura: suscripciones@zigmacg.com
Editada por Zigma Consulting Group (Equador)
Colaboração académica do Instituto da Inteligência (Portugal)

Encontros Internacionais de Economia


A convite da organização, o Instituto da Inteligência participou em mais uma edição dos Encontros Internacinais de Economia organizados pela Universidade de Málaga (Espanha). A nossa intervenção teve lugar no Simpósio "Neurociências y Negócios", o qual se realizou em Janeiro de 2009 e esteve integrado no 4º Congresso Internacional de Micro, Pequenas e Medias Empresas do Século XXI!
A organização do simpósio esteve a cargo da empresa nossa representante na América do Sul, a Zigma Consulting Group, de Quito, no Equador.

Elogio da Inteligência Colectiva


Essas celulazinhas super badaladas chamadas neurónios constituem o exemplo mais perfeito de como o trabalho em rede pode conduzir a resultados surpreendentes.

De facto, os neurónios devem a sua fama não apenas porque são as células mais importantes do cérebro (existem outros tipos executando outras funções também decisivas) mas sobretudo porque actuam em rede. Uma célula sozinha pouco pode fazer para dar origem ao pensamento, às ideias, às emoções. Mas conectada com muitas outras em seu redor ela atinge seu máximo brilho cada vez que é chamada a participar no trabalho mental.

Cada neurónio pode estar ligado a 50 mil outros companheiros através de ligações (links), alguns podendo estar bem longe. Agora imagine os milhões de links que existem no cérebro sabendo que este tem 100 mil milhões de neurónios!

É um excelente trabalho em harmonia, pulsando 400 mil vezes por segundo, para que você seja capaz de ver, ouvir, cheirar, pensar, sonhar, imaginar, aprender....e muitas outras fantásticas habilidades que fazem de si uma pessoa autónoma e inteligente.

Actuando em grupo, seguindo instruções de base promolgadas inicialmente pelos genes, eles obedecem a um trabalho de realização perfeito!

É toda uma inteligência colectiva em exibição semelhante àquela que transparece da atuação das grandes orquestras onde cada elemento, cada intérprete, cumprindo uma tarefa isolada, se agiganta quando se une a todos os outros.

Assim devem ser as equipas e todas organizações que buscam um fim comum!

(Nota final: outros órgãos possuem também neurónios, nomeadamente os intestinos e o coração. Neste último, cerca de 40 mil neurónios em rede participam, com outras células, no trabalho constante - 70 vezes por minuto, 100 mil vezes por dia! - de manter seu corpo alimentado de sangue vital).
Nelson Lima neuropsicólogo Instituto da Inteligência

Os principais riscos para os negócios (2008)

O relatório Strategic Business Risk: The Top 10 Risks for Global Business in 2008 foi elaborado após realização de entrevistas com 70 analistas de todo o mundo com abordagem de 20 temas que delineiam o ambiente de negócios actualmente, incluindo legislação, finanças, geopolítica, regulamentação, economia, demografia, medicina, entre outros.
Os 10 dez principais riscos para os negócios em 2008
1 - Riscos regulatórios e de compliance
2 - Envelhecimento de consumidores e da força de trabalho
3 - Choques financeiros globais
4 - Mercados emergentes
5 - Consolidação / Transição industrial
6 - Choques de energia
7 - Execução de transações estratégicas
8 - Custos de inflação
9 - Radical Greening (pressões causadas pela crescente preocupação com questões ambientais)
10 - Migrações de procura dos consumidores
O mundo agora é outro. Se a sua mente ainda está agarrada às teias do século XX e da sociedade fabril, dê já uma reviravolta. As empresas querem gente criativa, "solta", aguerrida, activa e revolucionária. Este anúncio, publicado no Brasil, já dá uma ideia da coisa.
Instituto da Inteligência
Ao ritmo do Mundo!
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Academia do Futuro
Future Intelligence Management
Instituto da Inteligência - Portugal//Reino Unido Animations - running light

Academia do Futuro em Londres.

Chama-se Future Intelligence Management o novo serviço do Instituto da Inteligência estabelecido em Londres a partir de 1 de Agosto. Sendo uma extensão da nossa Academia do Futuro tem como objectivo a promoção de actividades de informação, formação e conferências destinadas ao mundo dos negócios e ao mercado internacional a partir do Reino Unido.O respectivo site está a ser ultimado para que esteja operacional antes de Setembro. Contactos: office@futureintelligencemanagement.co.uk

Ler também >> www.wikinomia.biz
THE EXTREME FUTURE
BOLSA DE CONSULTORES E CONFERENCISTAS
Se tem formação e experiência profissional (mais de 8 anos) de elevada qualidade em alguma das áreas em que o Instituto da Inteligência trabalha, inscreva-se na nossa Bolsa de Consultores e Conferencistas. Necessitamos igualmente de conferencistas fluentes num ou mais dos seguintes idiomas: Espanhol, Inglês, Francês ou Chinês. Mercado de trabalho: Europa, África, China e Brasil. Contacto por email: geral@institutodainteligencia.net (Portugal) ou office@futureintelligencemanagement.co.uk (Inglaterra).

Começou o século chinês!

Cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos de Pequim.
Muito mais do que uma festa!
"Acorda, América! Acorda, Europa! Acorda, Ásia! A China está a erguer-se, o dragão está a dançar!
A emergência da China como a nova superpotência definirá a economia global do século XXI. A China irá dominar o comércio mundial, os recursos energéticos, a inovação e a segurança.
A ascensão da China ao poder será rápida, radical e perturbadora, representando tanto uma ameaça como uma oportunidade. Dois mil milhões de capitalistas avançam rapidamente! Em 2020, a China será o maior mercado consumidor do mundo - maior do que os Estados Unidos e a Europa juntos! E, em 2016 ela terá cerca de 100 novas megacidades, todas com mais de 10 milhões de habitantes!"
Fonte: James Canton, The Extreme Future, Institute for Global Futures.
(clique sobre a imagem para ampliar o poster)
A EDUCAÇÃO E O HOMEM DO FUTURO
1º CONGRESSO NACIONAL DO INSTITUTO DA INTELIGÊNCIA

44. Tem mais de 50 anos? Óptimo!

Muitas pessoas, à medida que se aproximam da meia década de vida, começam a ficar demasiado preocupadas com a idade e o natural envelhecimento. Algumas alteram, de imediato, o estilo de vida. Mudam de hábitos alimentares, correm para os ginásios, começam a praticar cicloturismo ou jogging, numa corrida contra o tempo na esperança de travarem os sinais da idade. Outras investem em operações plásticas para reduzirem e disfarçarem as marcas do tempo e dos excessos.
Todas estas preocupações são normais e até legítimas desde que não se transformem em paranóia ou descanbem para comportamentos obsessivo-compulsivos e elevem o neuroticismo e o stress.
Na verdade, o envelhecimento deve ser entendido como um processo de desenvolvimento, pelo menos até ao fim da 3ª idade (cerca dos 75 anos). Não se justificam medidas desesperadas devidas ao medo de se "parecer velho".
É óbvio que isto tem tudo a ver com factores culturais pois no Ocidente o "ser-se velho" é sinónimo de senilidade, aborrecimento, reumatismo, artroses e outras maleitas pouco simpáticas que acabam, muitas vezes, por servirem de justificação para nos despacharem para um qualquer lar de idosos.
No mundo actual, ter-se mais de 50 anos de idade é cada vez mais vulgar. Com o decréscimo da natalidade nos países em desenvolvimento e o aumento da longevidade é evidente que haverá cada vez mais pessoas idosas. Ou melhor, mais sábias (ver posts anteriores).Mas as boas notícias abundam. Quem estiver ainda na casa dos 50 pode contar, de futuro, com a medicina da longevidade para prolongar a sua passagem na Terra. Ou seja, muitas pessoas desta faixa etária poderão viver facilmente mais 50 anos! Surpreendido?
Veja as boas notícias:> A medicina do futuro vai sofrer grandes transformações e prevê-se que daqui por uns 10 a 15 anos se divida nas seguintes categorias:
Medicina Predizente: mantém a pessoa, saudável, sob vigilância médica, prevendo as doenças antes que apareçam. Medicina Preventiva: detém ou evita doenças e disfunções. Medicina Recuperativa: memória, mobilidade e saúde em geral é recuperada (é a forma de medicina tradicional). Medicina Regenerativa: regenera ossos, músculos, órgãos e células. Medicina da Longevidade: prolonga a vida, mantendo a saúde e a produtividade dos indivíduos. Medicina de Optimização: desenvolve todo o potencial mental e físico dos indivíduos para lhes proporcionar o desempenho máximo ao nível da saúde. Medicina Substituidora: proporciona substitutos viáveis para o corpo e a mente das pessoas, para repor a funcionalidade saudável. Medicina de Potencialização: melhora as funções mentais ou físicas com objectivos especiais, algumas eventualmente sobre-humanas (superdotação).
Os baby boomers, isto é, as pessoas nascidas entre 1946 e 1964 são muitas. Só nos Estados Unidos serão cerca de 76 milhões. Os baby boomers constituiram o grupo demográfico mais influente do planeta. Foram eles que redefiniram todos os aspectos do mundo actual. A verdade é que, segundo o Institute for Global Futures, a sociedade tem necessidade de manter os altamente especializados mais tempo integrados na futura força laboral. O objectivo da medicina do futuro próximo não será apenas o de mantê-los vivos por mais tempo mas também mais produtivos e úteis.
Há muita gente que associa o envelhecimento à perda de faculdades. Ora, quando se goza de saúde, essa perda de faculdades é muito relativa. Além de diferenças individuais muito grandes, o chamado "declínio cognitivo" acontece de forma mais evidente a partir dos 75 anos ou em idades mais avançadas (e, mesmo assim, há cada vez mais excepções).
Os especialistas em envelhecimento costumam dar atenção aos seguintes aspectos: competência, cognição, personalidade, saúde, satisfação de vida e bem-estar psicológico. Vejamos o que cada uma destas áreas significa.
COMPETÊNCIA > traduz a capacidade da pessoa para lidar com os desafios e obrigações da vida e que lhe permitam ser autónomo. Envolve variáveis de tipo cognitivo, emocional e social.
COGNIÇÃO > diz respeito às actividades do pensamento, do raciocínio, da percepção, da memória, da aprendizagem, da criatividade e da inteligência, entre outras.
SABEDORIA > forma de conhecimento extenso que depende da experiência de vida, envolvendo alguma combinação entre inteligência e criatividade, e que permite obter um discernimento pragmático sobre os problemas e situações do dia-a-dia e/ou profissionais e sociais.
PERSONALIDADE > conjunto de características que definem psicologicamente a pessoa e que sofre evolução com a idade. É constituída por uma personalidade-básica (com a qual nascemos), uma personalidade aprendida (por influência da educação e do meio) e uma personalidade escolhida (através das opções feitas ao longo da vida).
SAÚDE > estado geral do indivíduo e que está associado à noção de bem-estar.
SATISFAÇÃO DE VIDA > avaliação que permite às pessoas reflectir sobre as discrepâncias percebidas entre as aspirações e a realizações conseguidas.
BEM-ESTAR PSICOLÓGICO > sentimento de satisfação que envolve a auto-estima, o ânimo, o equilíbrio afectivo, a auto-imagem e outras dimensões.
O que perdemos e o que ganhamos com a idade
Aquela visão cinzentona e deprimente que ainda vigora no Ocidente sobre o envelhecimento está, felizmente, a perder força. O envelhecimento é, nem mais, do que evolução e mudança, com maior ou menor sucesso. O envelhecimento é também algo que apresenta diferentes etapas sendo um processo gardual.
Felizmente que um número crescente de cientistas tem vindo a debruçar-se sobre o envelhecimento e desse trabalho estão a chegar-nos boas notícias.
1º Em Portugal, entre 1960 e 2001, o fenómeno do envelhecimento demográfico traduziu-se por um aumento de 140% da população com mais de 65 anos de idade. Em 2001, esta faixa representava 16,4% da população total nacional.
2º O índice de envelhecimento (relação entre a população idosa e a população jovem) registou um aumento extraordinário (de 27,3 em 1960 para 102,2 em 2001), ou seja, há, actualmente, mais pessoas idosas do que crianças, de acordo com o Instituto Nacional de Estatística.
3º Estima-se que, em 2005, haverá 2,5 idosos com 65 ou mais anos para cada jovem com menos de 15 anos.
4º Com o aumento do tempo de vida a 3ª idade é agora uma fase activa da vida e passou a considerar-se uma 4ª idade a partir dos 70 ou 75 anos de idade.
5º As pessoas com mais de 50 anos têm cada vez mais uma visão optimista de vida: num estudo recente, 89% dos adultos associaram a meia-idade e os anos seguintes a aspectos positivos contrariando assim a ideia de um período de "crise".
6º Vários estudos confirmam também que a maior parte das pessoas envelhece de forma satisfatória ao longo da vida, mesmo nas fases mais avançadas.
7º O período designado como "3ª idade" ou dos "jovens idosos" (dos 55 aos 75 anos) é um período activo: aumenta a expectativa de vida; a boa forma física e mental é uma realidade ao alcance de muitas pessoas; existem reservas notáveis de habilidades cognitivas-emocionais; mais e mais pessoas envelhecem com sucesso (geral); há níveis elevados de bem-estar pessoal e emocional e verifica-se a adopção de estratégias eficazes de gestão de ganhos e perdas (relativas ao gradual envelhecimento).
8º As pessoas da actual "3ª idade" apresentam, em geral, uma elevada plasticidade e, por isso, mostram uma capacidade admirável para regular o impacto das perdas que também podem ocorrer (por exemplo, a nível físico).
9º O envelhecimento mental varia muito de pessoa para pessoa. Melhor saúde, mais informação, mais cultura e mais actividades físicas permitem que as pessoas com mais de 50 anos de idade possam desenvolver as suas capacidade cognitivas de forma quase ilimitada (na maioria dos países desenvolvidos a maioria daquelas pessoas mantêm um nível satisfatório ou elevado de inteligência e de funcionamento mental até cerca dos 70-75 anos de idade).
Para saber mais consulte >> www.talentosenior.blogspot.com.

43. Qual é a sua visão da vida?

Nunca a sociedade humana viveu tempos tão interessantes como actualmente! Há cada vez mais pessoas na Terra, as cidades fervilham de vida, a tecnologia oferece-nos cada vez mais conforto e qualidade de vida (na medicina, por exemplo) e o conhecimento nunca foi tão avançado! Esta é uma visão positiva da vida. Não é uma ilusão, muito menos uma alucinação.
Mas também podemos ter uma visão diferente sobre as mesmas coisas. As cidades crescem mas estão cada vez mais inseguras e com muitas bolsas de pobreza em muitas regiões do mundo e a tecnologia também trouxe problemas: poluição, desemprego, stress, armas muito perigosas, etc. Esta é uma visão mais negativa pois incide apenas sobre os efeitos secundários do progresso.
Não obstante, a vida no mundo de hoje é assim mesmo. Tem muitas coisas boas. Por exemplo, a medicina já venceu muitas doenças, vive-se muito mais tempo (sabe que há uns mil anos a média de esperança de vida era de apenas 18 anos porque a mortalidade infantil era elevadíssima, havia grandes epidemias e morria-se facilmente de qualquer doença hoje vulgar?).
Temos também coisas muito más, aterradoras. Ou não fossemos seres humanos, ainda muito primitivos em termos emocionais e comportamentais. O ódio, a raiva, a inveja e o egoísmo ainda fazem lei e destroem muitas vidas. Como escreve Augusto Cury, avançamos na ciência mas ainda somos seres pouco desenvolvidos no que respeita à prática da verdadeira humanidade.
Seja como for devemos ter uma visão realista de vida mas ao mesmo tempo positiva,oferecendo o nosso próprio contributo para que o mundo melhore. E esse contributo pessoal pode ser imenso. Veja: nós podemos melhorar a nossa cultura, pensar mais nos outros, ser mais solidários e humildes, cultivar a inteligência, educar bem as nossas crianças, cuidar dos indefesos, ajudar a manter as nossas cidades limpas...Tantas coisas e tão boas nós podemos fazer!
O nosso espaço de manobra e de intervenção é ainda muito amplo. Não nos deixemos sufocar pelos nossos medos ou pelas inibições. Aprendamos a cultivar uma mentalidade aberta, a ter uma visão alargada da vida e do mundo. Devemos entender que não somos apenas cidadãos de uma pequena ou de uma grande cidade. Não importa. Acima de tudo somos cidadãos do mundo, habitantes deste maravilhoso planeta azul e brilhante onde não faltam oportunidades para fazermos uso dos nossos recursos fundamentais: a capacidade de amar, a capacidade de pensar, a capacidade de aprender e a capacidade de julgar!

42. Reflexões sobre o futuro não improvável

Psicologia, Instituto da Inteligência, 2008

Voltando ao tema. Faz algumas semanas, foi lançada em Portugal, a tradução do livro do cientista social norte-americano James Canton The Extreme Future, qualquer coisa como "futuro radical" (o título da edição portuguesa é "Sabe O Que Vem Aí?", ed. Bizâncio).
Ninguém pode ficar indiferente ao conteúdo desta obra de um conhecido estudioso das grandes tendências mundiais ao nível do clima, da tecnologia, da sociedade, da ciência, da economia e da demografia.
Canton trabalha há mais de 30 anos como conselheiro de empresas e governos, incluindo o Governo dos Estados Unidos. É um dos poucos especialistas no estudo do futuro a partir das megatendências que geralmente dão origem às grandes transformações humanas. Não é um adivinho. É um investigador. A sua missão consiste em acompanhar a evolução dos acontecimentos humanos e perceber o impacto que eles terão no futuro a curto, médio e longo prazo. Por exemplo, Canton procura responder a perguntas como estas:
Qual o futuro da humanidade se até ao ano 2050 as questões do aquecimento global e as alterações climáticas não ficarem resolvidas (em 2050 o planeta Terra deverá ter quase o dobro da população actual);Quais as implicações reais que o aumento da informatização dos serviços e a rapidez da internet terão na vida das pessoas, em especial no trabalho?
Como é que Canton procede? Ele utiliza a inteligência e os conhecimentos de muitos especialistas e empresas para compreender como as coisas muito provavelmente vão acontecer. A sua organização, o Institute for Global Futures, tem um sistema de vigilância através da internet que lhe permite recolher informações em mais de um milhão de fontes (laboratórios de pesquisa médica, empresas de alta tecnologia, NASA, etc.). É com base em todo esse imenso material que ele constrói cenários sobre o futuro.

Despertar a nossa consciência...
O livro de Canton é muito importante e eu recomendo-o vivamente. É uma espécie de manual sobre o futuro não impossível. Para quem esperar viver mais 10, 20, 40 ou 50 anos este livro é fundamental. Mais ainda para os pais cujos filhos vão viver quase todo o século XXI. O livro desperta a nossa mente para realidades que hoje já são futuro, tal a velocidade a que as mudanças estão a acontecer.
(Um exemplo de como o futuro está a chegar muito rapidamente: esta semana li, na revista Sábado, que o jornalista e escritor português José Rodrigues dos Santos vai actualizar um dos seus mais recentes romances porque o preço do petróleo já atingiu valores que ele previra, no livro, que só teriam lugar em 2010).
Qual é a vantagem de conhecermos melhor o que provavelmente vai acontecer dentro de 5 ou 10 anos, ou mais?
No século XXI, dominado pela informação e a tecnologia, esse conhecimento é muito importante. É que, tal como se previra, o nosso mundo está a transformar-se radicalmente e a uma velocidade incrível em muitos domínios que vão afectar a vida do cidadão comum e ainda mais dos nossos filhos.
Podemos pensar que estas coisas modernas só interessam a uns quantos. Puro engano. Ingenuidade, talvez. É que o mundo, hoje, é a tal "aldeia global" onde o que acontece a 5 mil ou 10 mil quilómetros de distância (uma invenção, uma alteração da Bolsa, uma falência, uma alteração política, etc.) pode ter um impacto não negligenciável na nossa vida agora ou no futuro.
Cidadãos informados são cidadãos mais esclarecidos, mais habilitados a cuidarem do seu próprio futuro e dos seus interesses. Lembremo-nos que as boas decisões só podem ser tomadas por quem tenha ao seu dispor as melhores informações. Por exemplo, quando os nossos filhos precisam de decidir sobre o futuro eles devem estar informados sobre os cursos e as carreiras profissionais que interessarão não agora mas daqui por 6 ou 7 anos quando saírem da universidade. Ora 6 ou 7 anos é, hoje em dia, um período de tempo em que muita coisa acontece, até mesmo ao nível das profissões.
O extraordinário mundo novo que estamos a viver neste século XXI, com todas as suas coisas boas e menos boas, faz um apelo crescente à nossa inteligência, à nossa capacidade de aprender e ao nosso senso crítico. Mais do que nunca a inteligência é aquilo que separa as pessoas e as empresas mais competitivas das menos capazes de se adaptarem; mais do que nunca a necessidade de aprender e de reciclarmos os nossos conhecimentos se tornou numa urgência inadiável; mais do que nunca o sentido crítico se revela determinante para sabermos fazer escolhas e tomar decisões.
Competitivo, incerto, rápido, indeterminado, complexo, eis o nosso mundo.Colocar a cabeça na areia e ignorar que as transformações sociais, tecnológicas, económicas e outras interferem na nossa vida é má política e pode ser suicida. Por isso recordo aqui alguns conselhos de Augusto Cury que recolhi na sua teoria da Inteligência Multifocal.
1º Desenvolvermos a Arte da Pergunta (sermos curiosos na procura de mais saberes).
2º Desenvolvermos a Arte da Dúvida (para que nos interroguemos sobre nós próprios e os outros antes de tomarmos decisões).
3º Desenvolvermos a Arte da Crítica (fundamental para decisões inteligentes).
4º Analisarmos as diversas variáveis que estão em jogo para atingirmos os nossos objectivos (procurando prever os obstáculos, o impensável e o inesperado mas não impossível).
5º Valorizarmos as relações sociais e procurarmos ser agentes sociais.
6º Aprendermos a expor as nossas ideias (o mundo hoje ferve de ideias e inovações).
7º Termos uma visão multifocal da espécie humana.
8º Expandirmos o mundo das ideias através do uso das artes da inteligência (a arte da pergunta, dúvida, crítica, observação, análise).
9º Aprendermos a colocar-nos como "eternos" aprendizes.
10º Procurarmos ser engenheiros de ideias actuando com consciência crítica.Muito do nosso futuro é previsível, mas pode surpreender-nos!

Mentes abertas...
Aquelas são algumas das ferramentas que podemos utilizar para levarmos de vencida os desafios de amanhã, por muito serena que a nossa vida, hoje, nos possa parecer. Olharmos para a frente, para o futuro, olharmos para o horizonte para além da nossa rua, da nossa cidade e do nosso país é uma postura mais inteligente do que ficarmos queixando-nos das surpresas, por vezes desagradáveis, que o mundo nos reserva.
Muita da nossa ignorância sobre o nosso próprio futuro resulta do facto de estarmos desinteressados sobre o que acontece no mundo, convencidos que estamos que o destino de cada pessoa depende de factores não controláveis e desconhecidos.
Ora, como diz o especialista, James Canton, algumas pessoas "pensam que o futuro é uma sucessão aleatória de acontecimentos, desconhecidos e intocáveis até que tenham ocorrido e apenas completamente compreensíveis depois de passarem. Estão enganadas. (...) Não só o futuro é passível de ser antecipado, como a opinião que se tem sobre ele pode ser uma das forças mais poderosas na vida".
Eis o que o futuro nos pode reservar (pense também nos seus filhos):
- muitos dos empregos actuais vão desaparecer em poucos anos; você está preparado para mudar de emprego ou de profissão qualquer dia?
- a empresa onde você trabalha (ou que você dirige) está preparada para o futuro, para uma concorrência mais dura e agressiva, para vencer em mercados mais competitivos e efémeros?
- já pensou que o seu filho poderá ir trabalhar para um país distante porque lá oferecem mais oportunidades e melhor futuro? Está preparado para enfrentar essa mudança?
- novas doenças poderão surgir mas outras estão a ser combatidas com sucesso; dentro de poucos anos doenças como o mal de Alzheimer poderão ter cura e a velhice pode ser mais feliz. Está preparado para viver mais 10 ou 20 anos além da actual esperança de vida média no seu país?
- os robots estão a entrar em força no mercado de trabalho tal como aconteceu com os computadores; e se o seu emprego puder um dia ser ocupado por uma máquina inteligente? O que vai fazer?
- será que o seu filho está a aprender aquilo que é necessário numa sociedade que exige flexibilidade, criatividade, capacidade de adaptação, poder de comunicação, espírito competitivo?Não fique surpreendido com tudo o que acabei de escrever. Lembre-se o que disse o professor e guru da gestão Gary Hamel (em "O Futuro da Gestão"): "Somos a primeira geração da História que pode dizer honestamente: estamos limitados apenas pela nossa imaginação".
Nelson S Lima, Julho 2008

Você está pronto para o futuro?

James Canton, presidente do Institute for Global Futures:
"Todos precisamos de pensar no futuro de modo diferente: um futuro crivado pela mudança, pelo desafio, pelo risco. É uma nova espécie de futuro: não a marcha firme e penosa de progresso entre um momento e o seguinte, pontuada de breves explosões de inovação que caracteriza grande parte da História. (...) O futuro das nossas vidas, do nosso trabalho, dos nossos negócios - e, acima de tudo, o futuro do mundo - depende de adquirirmos um novo conhecimento sobre as mudanças vertiginosas que se estendem à nossa frente. Chamo-lhe "estar pronto para o futuro". (...) Aproximam-se mudanças extremas que designo como Futuro Radical: um futuro altamente dinâmico, disruptivo e multidimensional".

41. Futuro Radical

James Canton, conhecido autor, presidente do Institute for Global Futures, um laboratório de ideias da Califórnia, investigador sénior na Kellogg School of Management da Northestren University, antigo comentador da CNN e consultor da Casa Branca ao longo de trinta anos, acaba de lançar um dos mais completos estudos sobre as megatendências que estão a marcar o século XXI. Em Extreme Future, Canton descreve o que ele considera as 10 tendências do futuro radical.
1. Os combustíveis do futuro
A crise energética, o futuro pós-moderno e o futuro das energias alternativas desempenharão um papel crítico em todos os aspectos da nossa vida.
2. A economia da inovação
Novos empregos, novos mercados e mais competição resultantes da transformação da economia global baseada na convergência do comércio livre, da tecnologia e da democracia. A nanotecnologia, a biotecnologia, as tecnologias da informação e a neurotecnologia crescerão a um ritmo imparável.
3. A próxima força laboral
O mundo do trabalho vai continuar a transformar-se e será cada vez mais multicultural com a facilidade das viagens, a deslocação das empresas, o teletrabalho e a emigração.
4. A medicina da longevidade
Já ninguém duvida que a nanotecnologia, a neurotecnologia e a genómica vão aumentar a esperança de vida e assegurar velhices mais activas e saudáveis.
5. A ciência bizarra
A ciência do futuro transformará todos os aspectos da nossa vida, cultura ou economia, do teletransporte à nanobiologia e a múltiplos universos.
6. A segurança no futuro
É necessário definir o panorama do risco no século XXI: as ameaças, incluindo o controlo da mente, continuam a influenciar muitos aspectos da sociedade.
7. O futuro da globalização
A ascenção da China e da Índia, o choque de culturas e de valores, o futuro de África e da América Latina, as novas realidades do comércio e a competição global traçarão novos destinos para a economia e a sociedade.
8. As alterações climáticas
Com as mudanças ambientais, o Planeta Terra está em acelerada transformação: o aquecimento global, a poluição e as ameaças à saúde vão exigir mais alterações a nível pessoal, comunitário e político.
9. O futuro do homem
A liberdade de cada pessoa, a luta pelos Direitos Humanos, a melhoria das capacidades de desempenho e a melhoria da qualidade de vida trarão não apenas novos desafios mas novas oportunidades.
10. O futuro dos Estados Unidos e da China
Os destinos destas duas potências mas também da União Europeia e da Rússia vão influenciar a história do mundo durante o século XXI.

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Palavra de mestre

Hoje em dia ser brilhante significa ser capaz de apresentar ideias inovadoras sempre que isso se mostre necessário. Em qualquer profissão. Em qualquer tipo de organização.
Tom Peters

40. A nova revolução


Há cerca de 3 ou 4 meses começaram a dar-se alterações profundas, e de nível global, em 10 dos principais factores que sustentam a sociedade actual. Num processo rápido e radical, que resultará em algo novo, diferente e porventura traumático, com resultados visíveis dentro de 6 a 12 meses. E que irá mudar as nossas sociedades e a nossa forma de vida nos próximos 15 ou 20 anos! Tal como ocorreu noutros períodos da história recente: no status político-industrial saído da Europa do pós-guerra, nas alterações induzidas pelo Vietname/ Woodstock/ Maio de 68 (além e aquém Atlântico), ou na crise do petróleo de 73. Estamos a viver uma transformação radical, tanto ou mais profunda do que qualquer uma destas!
Façamos um rápido balanço da mudança, e do que está a acontecer aos 10 factores:

1º- A Crise Financeira Mundial: desde há 8 meses que o Sistema Financeiro Mundial está à beira do colapso (leia-se bancarrota) e só se tem aguentado porque os 4 grandes Bancos Centrais mundiais - a FED, o BCE, o Banco do Japão e o Tesouro Britânico - têm injectado (eufemismo que quer dizer: emprestado virtualmente à taxa zero) montantes astronómicos e inimagináveis no Sistema Bancário Mundial, sem o qual este já teria ruído como um castelo de cartas. Ainda ninguém sabe o que virá, ou como irá acabar esta história !

2º- A Crise do Petróleo: desde há 6 meses que o petróleo entrou na espiral de preços. Não há a mínima teoria de como irá terminar. Duas coisas são porém claras: primeiro, o petróleo jamais voltará aos níveis de 2007 (ou seja, a alta de preço é adquirida e definitiva!) e começarão rapidamente a fazer sentir-se os efeitos dos custos de energia. Por exemplo, quem utiliza frequentemente o avião, assistiu há 2 semanas a uma subida no preço dos bilhetes de 50% (leu bem: cinquenta por cento). É escusado referir as enormes implicações sociais deste factor: basta lembrar que por exemplo toda a indústria de férias e turismo de massas para as classes médias (que, por exemplo, em Portugal ou Espanha representa 15% do PIB) irá virtualmente desaparecer em 12 meses!

3º A Contracção da Mobilidade: fortemente afectados pelos preços do petróleo, os transportes de mercadorias irão sofrer contracção profunda e as trocas físicas comerciais (que sempre implicam transporte) irão sofrer fortíssima retracção, com as óbvias consequências nas indústrias a montante e na interpenetração económica mundial.

4º A Imigração: a Europa absorveu nos últimos 4 anos cerca de 40 milhões de imigrantes, num movimento incessante e anacrónico (os imigrantes são precisos para fazer os trabalhos não rentáveis, mas mudam radicalmente a composição social de países-chave como a Alemanha, a Espanha, a Inglaterra ou a Itália). Este movimento irá previsivelmente manter-se nos próximos 5 ou 6 anos! A Europa terá em breve mais de 85 milhões de imigrantes!

5º- A Destruição da Classe Média: quem tem oportunidade de circular um pouco pela Europa apercebe-se que o movimento de destruição das classes médias (que julgávamos estar apenas a acontecer em Portugal) está de facto a varrer o Velho Continente! Em Espanha, na Holanda, na Inglaterra ou mesmo em França os problemas das classes médias são comuns e (descontados alguns matizes e diferente gradação) as pessoas estão endividadas, a perder rendimentos, a perder força social e capacidade de intervenção.

A Europa Morreu: embora ainda estejam projectar o cerimonial do enterro, todos os Euro-Políticos perceberam que a Europa moribunda já não tem projecto, já não tem razão de ser, que já não tem liderança e que já não consegue definir quaisquer objectivos num caldo de 27 países com poucos ou nenhuns traços comuns!... Já nenhum Cidadão Europeu acredita na Europa, nem dela espera coisa importante para a sua vida ou o seu futuro! O Requiem pela Europa deu-se há dias na Irlanda!

A China ao assalto! contou-me um profissional do sector: a construção naval ao nível mundial comunicou aos interessados a incapacidade em satisfazer entregas de barcos nos próximos 2 anos, porque TODOS os estaleiros navais do Mundo têm TODA a sua capacidade de construção ocupada por encomendas de navios da China. O gigante asiático vai agora atacar o coração da Indústria europeia e americana. Foram apresentados há dias no mais importante Salão Automóvel Mundial os novos carros chineses. Desenhados por notáveis gabinetes europeus e americanos, Giuggiaro e Pininfarina incluídos, os novos carros chineses são soberbos, réplicas perfeitas de BMWs e de Mercedes (eu já os vi!) e vão chegar à Europa entre os 8.000 e os 19.000 euros! E quando falamos de Indústria Automóvel ou Aeroespacial europeia! Estamos a falar de centenas de milhar de postos de trabalhos e do maior motor económico, financeiro e tecnológico da nossa sociedade. À beira desta ameaça, a crise do têxtil foi uma brincadeira de crianças!

A Crise do Edifício Social: As sociedades ocidentais terminaram com o paradigma da sociedade baseada na célula familiar! As pessoas já não se casam, as famílias tradicionais desfazem-se a um ritmo alucinante, as novas gerações não querem laços de projecto comum, os jovens não querem compromissos.

O Ressurgir da Rússia: para os menos atentos, a Rússia está a evoluir tecnológica, social e economicamente a uma velocidade estonteante! Voltou a encontrar o seu orgulho e tem uma liderança. Em 5 anos ultrapassará a Alemanha!

10ºA Revolução Tecnológica: nos últimos meses o salto dado pela revolução tecnológica (incluindo a biotecnologia, a energia, as comunicações, a nanotecnologia e a integração tecnológica) suplantou tudo o previsto e processou-se a um ritmo 9 vezes superior à média dos últimos 5 anos!

Eis pois, a Revolução! Tal como numa conta de multiplicar, estes dez factores estão ligados por um sinal de vezes e no fim têm um sinal de igual. Mas o resultado é ainda desconhecido e imprevisível.

Uma coisa é certa, as nossas vidas vão mudar radicalmente nos próximos 12 meses e as mudanças marcar-nos-ão (permanecerão) nos próximos 10 ou 15 anos. Contrariamente a um comentador que muito estimo pelo seu brilho e inteligência (Carlos Magno, programa Contraditório da Antena 1, 13 de Junho) eu não acho que o Mundo está a entrar num crespúsculo (sic). Espera-nos o Novo! Como em todas as Revoluções!

Um conselho final: é importante estar dentro do Novo! Da Revolução! Ir em frente! Sem medo! Afinal, depois de cada Revolução, o Mundo sempre mudou para melhor!

Adaptado de um texto de Carlos Lacerda (Julho de 2008)
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Páginas anexas >
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A grande maioria dos esforços de formação nas empresas assentam em crenças e modelos de negócios onde se espera que residam a estabilidade, a coesão, a coerência e o equilíbrio. Ora o mundo dos negócios, hoje, é completamente diferente: é instável (mesmo quando aparenta estabilidade), é incerto, é indeterminado e é imprevisível. Alerta Robert Stacey que nós não estamos ainda a dar a devida atenção à natureza irregular, desordenada e aleatória do jogo complicado e oportunista da concorrência global.
A tarefa pode parecer assustadora mas é preciso alterar o modelo mental com que actuamos nos negócios. Isso não é fácil. E não é fácil porque o trabalho de mudança (mais do que formação/aprendizagem) é feito num nível mais profundo da mente. Você está preparado?

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A investigação psicológica tem verificado que a tendência comum das pessoas talentosas é um incrível impulso para ter sucesso em alguma área específica. Trabalham com paixão. Por isso, não se contentam com o "suficiente" e dedicam-se arduamente.

39. Evolução da Consciência

Da formação de um líder devem hoje constar conhecimentos cruciais sobre os diferentes tipos de mentes com os quais trabalha. As pessoas possuem sistemas de ideias, crenças e valores que podem ser profundamente diferentes de indivíduo para indivíduo mesmo que mergulhados na mesma cultura e na mesma sociedade.
A diferença encontra-se nos "estádios distintos de desenvolvimento da consciência" os quais fazem com que uma pessoa possa estar num patamar de desenvolvimento totalmente distinto até do da sua esposa fazendo com que subtilmente (ou de forma mais vigorosa) ocorram conflitos, incompreensões e desentendimentos, muitas vezes reclamados como "tu não entendes o que eu quero dizer", na verdade significando que "tu não entendes a minha mente e o que eu PENSO sobre aquilo que, afinal, nos separa"!
É algo mais profundo do que acontece com as vulgares "diferenças de opinião" ou "níveis de cultura e saber". Tem a ver muito mais com a "consciência profunda" onde se alojam a visão do mundo, os sistemas particulares de valores, o nível de existência psicológica e as estruturas de ideias e formas de pensar proprias de cada sujeito.
Segundo a teoria da "dinâmica da espiral" pessoas, segundo o nível da sua consciência profunda, repartem-se por 8 diferentes estádios (e futuramente 9):
estádio arcaico-instintivo (estão neste estágio os bebés recém-nascidos, os idosos senis, pessoas com grandes atrasos mentais, etc, como terão estado os hominídeos primitivos), representando actualmente 0,1% da população mundial;
estádio mágico-animista (membros de gangs, tribos corporativas, claques, etc.), 10% da população e detendo 1% do poder;
estádio egocêntrico (crianças dos 2 aos 5 anos de idade, juventude rebelde, reinos feudais, líderes de gangs, mercenários, etc.), 20% da população, detendo 5% do poder;
estádio mítico (puritanos, ditadores, fundamentalistas religiosos, escuteiros, etc), 40% da população, detendo 30% do poder;
estádio racional (classes médias emergentes), 30% da população, detendo 50% do poder);
estádio ecologista (ecologistas não fundamentalistas, voluntários de organizações humanitárias, etc.), 10% da população, 15% do poder;
estádio integrador (líderes espirituais, crianças índigo humanistas, etc.), 1% da população, 5% do poder; estágio holístico (grandes líderes espirituais, alguns monges do Tibet, etc.), 0,1% da população e 1% do poder.
No futuro o 9º estádio, o estádio da consciência cósmica, representará um patamar que pouquíssima ou até mesmo nenhuma pessoa terá ainda chegado. A evolução de um estádio para outro é possível, ainda que custoso.
Segundo o grande filósofo norte-americano Ken Wilber, a população humana reparte-se por estes diferentes estádios. Em seu entender, na chamada consciência de segunda camada (isto é, aquela que surge a partir do "estádio integrador") estão poucas pessoas "porque constitui, no presente momento, a linha da frente da evolução humana colectiva". São estes que estão a mudar o mundo.
Os novos líderes, a quem Don E Beck e Christopher C Cowan (ler "Dinâmica da Espiral") chamam de Feiticeiros da Espiral, devem seguir 5 princípios:
- reconhecer as forças mentais que existem "na cabeça" das pessoas que lideram;
- incorporar um estilo universal de liderança C-A-A (cortesia, abertura mental e autocracia positiva);
- exercer as opções de intervenção apropriada nas situações;
- seguir as seis "Regras do Polegar" (oportunamento desenvolveremos esta ideia);
- activar o pensamento de segundo nível (estágio integrador e seguintes) para incidir na liderança.
Actualmente e porque os líderes do velho sistema (a sociedade conotada com "2ª vaga" de Alvin Tofler) ainda são a grande maioria, repartem-se por distintos estilos de liderança. São eles:
o comunitário/tribal; o racional/económico; o moralista/prescritivo; e, o explorador/egocêntrico.
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1º Congresso Nacional do Instituto da Inteligência
A EDUCAÇÃO E O HOMEM DO FUTURO
Participação especial do prof. AUGUSTO CURY (Brasil)
Outubro 2008, ALGARVE
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Será que os actuais modelos de gestão servem para a economia do século XXI? Não. Na verdade, a gestão actual não é assim tão moderna pois resulta simplesmente de adaptações das formas de gestão inventadas nos longínquos finais do século XIX, na Revolução Industrial.
Hoje, os mercados, a concorrência e a velocidade dos acontecimentos e da informação tornaram a gestão numa disciplina a precisar urgentemente de ser re-inventada apostando especialmente nas dimensões Intelecto, Iniciativa, Criatividade e Paixão!
(lido em The Future of Management, de Gary Hamel, professor de Gestão Internacional e Estratégia na London Business School, director do Lab Management Innovation e autor de best-sellers como Leading the Revolution).

38. As novas mentes para o futuro

Howard Gardner é mundialmente reconhecido pela sua teoria das Inteligências Múltiplas. É professor de Cognição na Universidade de Harvard, autor de 20 livros e detentor de 21 títulos honoris causa.
Sintonizando-se com os novos tempos, Gardner acaba de definir as 5 capacidades cognitivas que acredita serem preciosas (imprescindíveis mesmo) para todos quantos queiram ter sucesso na era da globalização. Vejamos, resumidamente.
1º A mente disciplinada:
Deve ser racional, lógica, organizada, metódica, consistente, orientada para a apreensão de novos saberes. Aplica-se na escola, nas aprendizagens, na educação formal, no trabalho. Exige método, disciplina, interesse em saber mais, autodomínio e objectivos precisos.
2º A mente sintetizadora:
É integradora, interdisciplinar, contextualizadora, multiperspectivista. Ajuda a que sejamos capazes de juntar os diversos conhecimentos, tirar conclusões e retirar delas novos entendimentos, uma melhor compreensão das coisas e dar consistência ao que retemos na memória semântica (a que regista os conhecimentos aprendidos de forma estruturada).
3º A mente criadora:
É divergente, inventiva, imaginativa, aberta, inovadora. Já hoje tornou-se num tipo de mente decisiva para os governos, as empresas e os diversos profissionais. A criatividade e a inventividade permitem a inovação - determinante para o futuro da sociedade humnana.
4º A mente respeitadora:
É compreensiva, tolerante, aglutinadora, convergente. Exige inteligência social para que possamos ter o "outro" como pessoa interlocutora e que merece o nosso respeito. É a base das relações humanas equilibradas, sadias e construtivas.
5º A mente ética:
É valorativa, socialmente responsável, madura, altruísta. Visa a boa cidadania, a cultura de valores sociais e altruistas, pressupõe força de carácter e consciência social.
Todo este conjunto de estruturas representam tipos de mentes que serão precisas se se quiser - se quisermos prosperar nas eras vindouras e que exigirão competências que até agora eram meras opções, diz Howard Gardner.
Gardner defende que a nossa preparação e a dos nossos filhos para os novos tempos exige o aprofundamento daqueles tipos de mentes se quisermos ter os líderes, gestores, técnicos e cidadãos de que precisamos para povoar o nosso planeta.
Assim,- os indivíduos que não tenham uma ou mais conhecimentos (geridas pela mente racional) não conseguirão ter sucesso em qualquer local de trabalho exigente e estarão restringidos a tarefas menores;
- os indivíduos sem capacidades sintetizadoras serão subjugados pela informação e serão incapazes de tomar decisões sensatas acerca de assuntos pessoais e profissionais;
- os indivíduos sem capacidades criadoras serão substituídos por computadores e afastarão aqueles que têm chama criativa;
- os indivíduos que não sentem respeito não serão merecedores do respeito dos outros e poluirão o local de trabalho e o espaço público;
- os indivíduos sem ética produzirão um mundo desprovido de trabalhadores sérios e cidadãos responsáveis: nenhum de nós quererá viver nesse planeta desolador.

37.Onde os computadores perdem

"In order to move to a hyper-human future, we need to mobilize hyper-human skills right now such us clear, sensible thinking as well as caring, responsible goal setting, planning and determination".
Richard W Samson, director of the EraNova Institute (http://www.eranova.com/).
Num mundo cada vez mais dominado pela tecnologia e a computação torna-se evidente que muitas profissões ligadas à Era Industrial vão desaparecer. Muitas outras irão sofrer metamorfoses. E outras serão criadas. Estas pertencerão ao domínio das chamadas actividades "meta-mentais" (ou hiper-humanas) e estão a salvo da omnipresença dos computadores. São actividades que necessitam de um organismo vivo de inteligência superior. Porque é nesse território que os computadores perdem.
De que capacidade e competências estamos a falar? De várias, a saber:
- percepção consciente e controlo motor;
- capacidade de iniciativa e intencionalidade;
- valores éticos;
- sentimentos;
- criatividade e imaginação;
- reflexão;
- tomadas de decisão subjectivas;
- formulação de hipóteses;
- habilidades sociais.

Como desenvolver a Mente Executiva

O Institute for International Research realizou, nos dias 25 e 26 de Março, em Lisboa, um workshop de brainfitness para executivos.
O brainfitness assenta num conjunto de evidências científicas oriundas de disciplinas como a neuropsicologia, a neurofisiologia, o mental training, a psicologia desportiva e a psicologia cognitiva e computacional. Visa aprender a desenvolver a criatividade, a flexibilidade mental, a capacidade de concentração, a gestão do stress, etc.

Entrevista ao SEMANÁRIO ECONÓMICO

A turbulência dos mercados financeiros tende a provocar as mais diversas reacções nos investidores. Num trabalho que tem como título COMO CONTROLAR O PÂNICO, a jornalista do SEMANÁRIO ECONÓMICO Alexandra Brito escreve sobre os comportamentos dos investidores em mercados instáveis e fornece algumas pistas para reduzir a ansiedade e evitar o pânico (pág. 8 a 11 do caderno "Casual"). Ouviu especialistas da Bolsa e pediu-me uma breve entrevista sobre o tema. Conforme explico no jornal, as decisões de investimento estão entre as mais delicadas que se podem tomar no mundo financeiro e empresarial e, por isso, exigem uma equilibrada autoconfiança, grande capacidade de discernimento, distanciamento, criatividade e intuição quanto baste. Para ler naquele semanário, já nas bancas (edição de 1 a 7 de Fevereiro de 2008). Posteriormente, registarei aqui a entrevista completa. (Para ler algumas entrevistas anteriores siga para o fim do blog).

O pensamento wikinómico

"Devido a mudanças profundas na tecnologia, na demografia, na gestão, na economia e no mundo, estamos a entrar numa nova era em que as pessoas participam na economia como nunca antes o fizeram. Esta mudança oferece oportunidades muito vastas a todas as empresas e pessoas que estejam em ligação entre si". Don Tapscott e Anthony D Williams in "Wikinomics".

Para saber mais sobre o livro clique aqui > wikinomia

Sugestões de leitura

Para ler > Executive Intelligence Review
Para ler > Século XXI (inglês e espanhol)

Seminário sobre MAPAS MENTAIS (Lisboa)




O Institute for International Research (IIR) realizou um seminário único sobre Mapas Mentais, nos passados dias 29 e 30 de Janeiro, em Lisboa, que tive o prazer de dirigir.
Facilitando as conexões neuronais do cérebro, os mapas mentais permitem potenciar o exercício do raciocínio e explorar as possibilidades da inteligência analítica, criativa e prática. Assim, eles constituem uma forma de registo gráfico de pensamentos, ideias e informações através de palavras-chave, números, imagens, cores e linhas.
Segue-se, em Março, um seminário/ginásio mental sobre BrainFitness!

36. EGONOMICS: what makes ego our greatest asset!

O estado natural da mente é a ordem, isto é, a harmonia consigo mesma e com o meio ambiente. Quando essa harmonia existe, a mente funciona como uma totalidade, o que resulta no que se chama de saúde mental e em bons desempenhos. Quando existem perturbações e desarmonia, a mente perde o seu estado de unidade fluente e fica bloqueada, apresentando aspectos traumáticos que podem resultar em vários distúrbios, tais como, ansiedade, depressão, angústia, fobias, stress, insegurança, impulso suicida, autopunição, autopiedade, complexos de inferioridade, insónia, ciúme exagerado, instabilidade afectiva, sentimentos de rejeição, solidão, abandono, doenças psicossomáticas, a fuga pelas drogas e o alcoolismo, etc. Pode também incluir dificuldades no relacionamento interpessoal.
Muitas pessoas (mais do que podemos imaginar) sofrem de perturbações devidas a um Ego fragilizado pelos mais diversos motivos. Isso afecta a sua rendibilidade e a sua produtividade, inibe o talento e impede a pessoa de usufruir de todo o seu potencial criativo.
Este é o tema central do recente livro da dupla de consultores David Marcum e Steven Smith: Egonomics - What makes ego our greatest asset (or most expensive liability) (First FireSide, New York, September 2007).
Ao longo de cerca de 250 páginas, Marcum e Smith fornecem uma série de dicas cujo objectivo é possibilitar que o indivíduo trabalhe em função do seu próprio desenvolvimento, da sua própria mudança pessoal para se tornar um ser mais equilibrado, em paz consigo mesmo e com a sociedade na qual vive, caminhando a partir daí para o processo de auto-aprimoramento o que o levará a plenitude como ser em evolução e mais capaz de usufruir das suas capacidades, habilidades e talentos.
Num site norte-americano, Smith escreveu, a propósito da obra em que é co-autor:
People are often surprised who we write about in
egonomics. They seem to expect we’ll write about very quiet, unassuming, fade-in-the-background characters as the best examples of great business people. Rather than stories of Steve Jobs or Richard Branson, they expect the “stoic, quiet, workmanlike” leaders Jim Collins talks about in Good to Great.
While we admire (major understatement…Collins’ book sparked our work) his work, humility just can’t be categorized as narrowly as the personalities he describes. At least we haven’t found that to be the case in our work. Otherwise, we’d all be looking for “quiet, shy, even awkward” personalities to run our companies and teams.
True humility is just as likely to be “quiet and workmanlike” as it is flamboyant and charismatic. Humility isn’t a sqaure peg that only fits the “sqare” personalities. Humility is, and can be, a characterisitc of any personality. Donald Trump could be humble if we wanted to, without overhauling his entire personality (unless he’s narcissistic, then…). And he would be more effective and better off for it.
So how will we know if we our team has too much, the right amount, or not enough ego if personality type isn’t the best indicator? Here’s a quick checklist of the three, key “egonomic” characteristics of great leaders .
1. open minds
People aren’t too content, or overconfident, in what they’ve achieved.

Anxiously listen to new ideas even though they hold strong opinions themselves.
Don’t take things personally in intense debates so the best ideas win.
People are we-centered more than me-centered in the way they think about the business.
Drive and embrace change.
2. intense curiosity
Raise the level of insightful questions asked in routine conversations and meetings.

Hungry to learn; don’t let expertise, title or tenure limit questions about new ideas or ventures.
Unlock conversations to get to the heart of the matter.
Balance pure creativity with business discipline and homework.
Test the assumptions behind what we do and why we’re doing it.
3. water-cooler honesty
People speak their minds without fear of backlash, being labeled, or seen as incompetent.
Hear, and give, honest feedback so improvement is possible.

When people do speak up, they do it tactfully, not in a way that shuts other people down.
People confront the brutal facts and do something about it.
So the next time you’re looking to hire or promote a truly exceptional, “good-to-great” person, don’t be fooled by “modesty,” or how “quiet, shy and workmanlike” they appear to be. Watch and listen for the above and you’ll be better off.
Um livro muito interessante, sobre um tema raramente aflorado da maneira como os autores o fizeram, e que tem merecido os louvores da crítica. Como diz Christine Pearson, professora de gestão na Thunderbird School og Global Management, "this book is terrific! Egonomics provides grounded, practical approaches for those trying to lift their organizations from strangleholds of runway egos. Marcum and Smith´s perspective on "veracity" should be required in every MBA program".
Para saber mais,
clique aqui.

35. Dar a verdadeira importância à criatividade!

Nunca se escreveu tanto sobre a importância (definitiva!) da criatividade, da imaginação e do espírito criativo numa sociedade dita do Conhecimento que se renova a cada instante. Todos os gurus e autores mais ou menos conhecidos se referem à criatividade com toda a ênfase e excitação que ela merece pois sendo uma aliada (e cúmplice) da inteligência a ela devemos os grandes avanços tecnológicos, científicos, culturais e sociais que marcaram a história humana. Agora, mais do que nunca, a capacidade imaginativa das pessoas e das organizações é algo muito valioso pois dela depende a resposta inovadora e diferenciada dos verdadeiramente competitivos (indivíduos, empresas, cidades, países, etc.) perante os desafios da mudança acelerada que marca o nosso tempo.
Não obstante este constante martelar no tema da criatividade a maioria das pessoas e da organizações humanas estão pouco despertas para ele. Por exemplo, o ensino ignora praticamente a criatividade. Aliás, chega a penalizar quem seja criativo. O mesmo se passa com a maioria das organizações que pacificamente aceitam que a criatividade é algo com interesse mas na prática recuam quando se trata de enveredar por caminhos que exijam alguma inventividade. Ou seja, parece que, frequentemente, a criatividade assusta. Todavia, se não fosse a criatividade de muitas pessoas estariamos - todos! - ainda ao nível dos progressos (simples) Idade da Pedra Lascada.
Aceitamos benevolamente a criatividade como um traço de personalidade e não como uma característica do potencial humano que todos temos com maior ou menor evidência.
As estatísticas dão-nos uma ajuda para compreender o porquê da situação. Cerca de 15% das pessoas são realmente criativas. Assim, temos uma maioria de 85% que prefere a comodidade do conformismo das ideias já comprovadas e aceites.
Temos assim que os espíritos conservadores raramente são criativos nada se podendo esperar deles de verdadeiramente novo. São seguidistas, na maior parte do seu tempo de vida.
Alguns autores defendem a tese de que esta situação fica a dever-se aos modelos de educação que seguimos. São modelos tradicionais onde a memorização é mais valorizada do que a inteligência criativa. E, assim, 9 anos de escola obrigatória eliminam muito do potencial criador das crianças, as quais se tornam adultos pouco dados a exprimirem verdadeira criatividade. E como as organizações se agarram, por natureza, aos seus alicerces e ideias já feitas, raramente apreciam os espíritos criativos e arrojados.
Felizmente que a sociedade está mais competitiva abrindo-se assim espaço para que a criatividade seja finalmente desejada e valorizada. Será, dentro em pouco, uma disciplina bem paga a quem for realmente criativo (até mesmo nas organizações mais cinzentonas como as da administração pública!).
A ampla abertura da comunicação interpessoal que a internet e as outras tecnologias nos proporcionam estão a obrigar as empresas a adoptar uma nova postura face aos mercados. Jamais poderão abrigar-se dentro das paredes das fábricas e dos escritórios como era comum antigamente. Elas têm de ser agora transparentes e, em definitivo, estabelecerem novas formas de relacionamento com os seus públicos (internos e externos). A empresa tradicional, fechada sobre si mesma, já não tem mais ar para respirar. Morrerá sufocada se não se abrir para o mundo.

34. Aprenda com os atletas da Alta Competição

O talento e a vocação são factores-chaves para o sucesso nos desportos de Alta Competição como o atletismo, a natação ou a Formula Um. Há também quem acrescente um outro factor: a sorte. Mas confesso que eu não considero a sorte um factor decisivo pois ela está mais destinada a favorecer os audazes do que aqueles que apenas nela confiam para alcançar os seus objectivos. De modo que, na Alta Competição, é um factor que não é de desprezar mas não deve ser levado em conta pois depende de circunstâncias e condições fora do controlo dos atletas. Ou seja, quem coloca a sorte como factor decisivo, é um potencial perdedor.
Então, na Alta Competição, há outros factores muito mais centrais e decisivos, nomeadamente os da esfera psicológica. É disto que trata a Psicologia Desportiva e, mais concretamente, o Mental Training.
O mental training visa a obtenção do máximo rendimento dos atletas. Em Portugal está pouco divulgado e talvez por isso é que temos a tal pouca sorte nos desafios desportivos. Na verdade, para além do talento e do treino físico, é preciso o treino mental que dá aos atletas a energia e a substância necessárias para poderem estar entre os melhores.
Não é por acaso que a Renault Sport envolve os pilotos da sua equipa de Formula Um em programas rigorosos de treino mental. Este é fornecido por psicólogos em Paris. Outras equipas fazem o mesmo mas no "segredo dos deuses" pois o mental training tem as suas subtilezas e os mental trainers são pago a peso de ouro.
Mas o que se pretende com o mental training?
1º Desenvolver nos atletas uma atitude positiva, pró-activa e voltada para o alto desempenho e as vitórias.
2º Desenvolver neles altas capacidade de concentração aprendendo a abstrair-se de problemas durante as provas.
3º Aprendizagem de boas tomadas de decisão de forma rápida nos momentos decivos.
4º Definição de metas pessoais.

5º Apuramento da capacidade de entrega, empenho e envolvimento.
6º Aprender a administrar a ansiedade e a controlar o stress.
7º Aprender a governar as emoções.
8º Aprender a usar a vizualização de imagens mentais para treinar o cérebro a trabalhar nos limites.
9º Desenvolver a necessária força mental para superar crises pontuais no decurso das provas e da própria carreira.
10º Aprender a despoletar e a manter a auto-motivação.
11º Aprender a gerir de forma bem sucedida as relações interpessoais com outros "actores" do desporto (colegas, adversários, árbitros, imprensa, etc.).
12º Aprender a construir auto-afirmações (auto-conversa) positivas e desencadeadoras de motivação.
É por tudo isto que cada vez mais empresas que andam na alta competição dos negócios estão a fornecer programas de mental training aos seus executivos!

33. Gestores: a urgência de um novo modelo mental!

Actuando num clima de instabilidade/complexidade/incerteza, os gestores são forçados a trabalhar num quadro mental diferente daquele que os estados de estabilidade, coerência e coesão requerem.
No mundo actual, as empresas de excelência funcionam num estado de instabilidade dita limitada. Esta instabilidade é agora uma propriedade fundamental dos sistemas de negócios bem sucedidos. Ela é condição-chave para provocar a inovação, ou seja, a procura de ordem a partir do caos.
Foi já em 1992 que o conhecido autor Ralph Stacey escreveu que a ciência da complexidade dos sistemas dinâmicos proporciona um modelo mental totalmente diferente para interpretar o comportamento de negócios e projectar acções de gestão inovadoras (in Managing Chaos).
Com efeito, o mundo dos negócios é cada vez mais ditado por um feedback interactivo contínuo (semelhante ao dos jogos competitivos verdadeiros), com muitos aspectos instáveis.
Neste tipo de cenários caóticos, os gestores não podem confundir êxito com simples estabilidade (esta é sempre temporária e pode ser enganadora). A gestão é feita cada vez mais à vista desarmada mas apoiada com o máximo de dados e informações provenientes de diversos lados. E, assim, "procurarão interagir criativamente com as outras pessoas que constituem a envolvente do seu negócio" (Stacey), isto é, colegas, trabalhadores da empresa, parceiros de negócio, clientes, fornecedores, consumidores finais, entidades públicas diversas, etc.).
Assim, diz Stacey, "adoptar uma perspectiva de sistemas dinâmicos leva a uma resposta diferente (do equilíbrio estável próprio de épocas anteriores). (...) que reconhece a importância da contradição e da tensão criativa".
A aprendizagem torna-se então numa necessidade imperativa. Os gestores têm de abandonar velhas crenças, procedimentos e talvez modelos mentais já esgotados. A aprendizagem de um novo modelo mental é complexa, pode ser entendida como algo ameaçador, é geradora de ansiedade e toca, por vezes, em características pessoais profundas.
A inteligência é algo muito mais complexo do que aquilo que os testes de Q.I. pretendem medir.

32. Novo enfoque da gestão aplicada às cidades!

Há uns 25 anos, quando andei a fazer pesquisas para um livro que viria a ter o título de 5.000 Anos de Transportes (*), tive de ler bastante documentação sobre a origem e a evolução das grandes cidades na Europa, América e Ásia.
Tornou-se claro para mim que elas estiveram sempre associadas aos transportes pois precisavam de ter boas vias de comunicação (cursos de água, rotas comerciais, etc.) para poderem estar ligadas em rede com outros centros urbanos.
A afluência de pessoas e mercadorias estava assim aliada à entrada de novas modas, tendências, tecnologias e inovações diversas. Era visível que as grande cidades dependiam sobretudo das pessoas, da diversidade cultural e da variedade de ofícios e negócios a que os seus habitantes se dedicavam. A sua principal riqueza residiu sempre no "capital humano" apesar de, quase permanentemente, os historiadores apontaram a riqueza económica como o principal motor do desenvolvimento das grandes urbes. Foram precisos muito anos para se perceber que a riqueza estava nas pessoas, na sua inteligência e na capacidade criativa de uma mão cheia de inovadores (artistas, empresários, técnicos, etc.) e não no capital propriamente dito.
Este não era um factor central de desenvolvimento mas a consequência do factor humano.
É o que Gary Hamel, no livro The Future of Management (recentemente lançado) com efeito, confirma. Para além de localizações estratégicas bem-sucedidas, as cidades notáveis, geradoras de riqueza e bem-estar, possuem uma capacidade criadora elevada. É isso que atrai e gera dinheiro (e não só, obviamente).
Assim, hoje em dia, as cidades mais produtivas e ricas, são aquelas que conseguem atrair o chamado “capital criativo” constituído por uma grande diversidade de pessoas e actividades, em especial “trabalhadores do conhecimento” e “artistas”. Técnicos, profissionais liberais, escritores, realizadores de cinema, editores, designers, artistas plásticos e outros criadores estão entre aqueles cuja imaginação e engenho alimentam a economia criativa.
Escreve o autor: "Esta situação, aliada à diversidade de culturas, perspectivas, ofícios, indústrias, estilos arquitectónicos e bairros próprios das cidades, “atiça o fogo” da criatividade. Uma vez que as mentes curiosas e não conformistas são catalizadoras do crescimento económico, as cidades que conseguirem atrair mais do que uma quota-parte de membros da classe criadora estão destinadas a ter mais sucesso do que as outras. Por isso, os governantes das cidades devem preocupar-se menos com criar um grande “clima de negócios” e mais com construir um grande “clima de pessoas”. Aproveite e faça um pequeno "tour" por algumas
cidades do mundo.
* Já muito antigo, o meu livro aparece citado, entre outras obras, aqui.

31. Estará o nosso cérebro preparado para o século XXI?

Denomina-se Psicologia Evolucionista. É uma área científica oriunda da biologia evolutiva que recebe contributos muito importantes da genética, da antropologia, da zoologia, da etologia, da ecologia comportamental, da arqueologia e da inteligência artificial. Está intimamente ligada à sociobiologia. Para a psicologia evolucionista a mente é um conjunto de adaptações psicológicas, ou mecanismos psicológicos desenvolvidos ao longo da evolução humana que favorecem a sobrevivência e a reprodução.
Recentemente (Fev 2007), a revista Science et Vie publicou um excelente trabalho sobre a nossa capacidade de adaptação ao mundo actual - um mundo que tem sido profundamente marcado por sucessivas vagas de transformações técnicas, sociais e culturais (Alvin Tofler definiu três: a da agricultura, a da industrialização e a da informação).
O estudo - que envolveu uma ronda por uma série de centros de investigação e reputados cientistas - alerta para o facto do nosso cérebro estar, afinal, preparado para um mundo que já não existe. Eles apontam os comportamentos violentos, o gosto pelo risco e o medo de perder como alguns dos exemplos mais representativos das pré-disposições formatadas durante a pré-história do nosso cérebro e que ainda se conservam intactas.
Eis, por conseguinte, um tema que tem levado muitos cientistas a debruçarem-se sobre a história do cérebro. Na verdade, o cérebro humano está mais preparado para resolver problemas idênticos aos que se colocavam aos homens pré-históricos do que outros mais próprios de uma civilização social e tecnologicamente avançada. Isto porque, embora o desenvolvimento tenha acelerado nos últimos 150 anos, o cérebro não acompanhou essa evolução pois está igual ao dos hominídeos que viveram no período Pleistoceno (um tempo recuado da história situado entre 1,8 milhões de anos e 9 mil anos antes de Cristo).
Segundo os cientistas que trabalham em Psicologia Evolucionista, o nosso cérebro evolui lentamente sendo necessários entre 20 mil e 200 mil anos para adquirir características biológicas novas provocadas pela pressão do meio.

Nem tudo são más notícias porque, felizmente, ele possui uma fantástica particularidade que nos ajuda na adaptação ao mundo: a neuroplasticidade sináptica, isto é, uma capacidade inerente aos neurónios que lhes permite serem activados ou remodelados através da "aprendizagem". Graças a esse processo, o cérebro é capaz de modificar as redes de neurónios mobilizando as células nervosas que estejam inactivas e criando e modificando as ligações entre si. Ou seja, apesar da antiguidade das estruturas cerebrais, ainda há um grande espaço de manobra e por isso a sociedade humana tem-se mantido em constante transformação.
A verdade é que muitos dos nossos comportamentos de risco, medos, agressividade e outros que muitas vezes classificamos de "primitivos" e desajustados das sociedades ditas evoluídas não diferem daqueles que os nossos longínquos antepassados desenvolveram para serem capazes de sobreviver num mundo hostil e desconhecido. Continuamos a ser uma espécie violenta, por exemplo.
Então o nosso cérebro é igual aos dos nossos antepassados de há 200 mil anos ou mais? É. Vai evoluir? Sim. Quando vamos sentir diferenças acentuadas? No mínimo, daqui por uns 20 mil anos ou mais...

30. Da massificação à fragmentação dos mercados.

Muitas pessoas não se aperceberam ainda como a internet está a mudar o mundo e o nosso dia-a-dia. Na Era da Informação ela tornou-se numa intrincada rede de comunicação que cobre todo o Globo através da qual biliões de pessoas realizam as mais diversas operações: contactos, pesquisas, compras, páginas pessoais, etc, etc.
A sua influência na transformação dos mercados lança novos e impensáveis desafios junto das empresas de todo o mundo, mesmo as mais pequenas. Este simples exemplo é bastante esclarecedor: a leitura de jornais em papel, que atingiu o seu melhor em 1987, está em queda apesar do aumento do número de leitores estando actualmente ao nível da década de 60 devido à chegada dos jornais on-line.

O mercado de massas, que cresceu ao longo de todo o século XX, está a fragmentar-se. As múltiplas escolhas a que hoje cada um de nós tem acesso estão a conduzir os anteriormente mercados homogéneos para uma proliferação de nichos que coexistem e interagem de um modo desarmonioso. Chris Anderson, autor do já famoso livro A Cauda Longa diz que "estamos a assistir a uma mudança de uma cultura de massas para uma imensa cultura paralela".
Um outro bom exemplo são os blogues, páginas pessoais gratuitas que qualquer pessoa pode criar e elaborar, ampliando a sua palavra até onde nenhum outro meio lhe proporcionaria idêntico eco. Actualmente, o número de blogues em todo o mundo ultrapassa os 12 milhões formando uma espécie de "uma única empresa com 50 milhões(*) de repórteres, cronistas e editorialistas", muitas vezes fazendo concorrência directa com a comunicação social instituída.
Chegamos assim a uma "economia de variedade" que é influenciada fortemente por um número crescente de agentes de produção que usam a internet para promover as suas ideias, saberes, serviços e produtos. Muitas organizações aproveitam toda esta imensa contribuição de gente muitas vezes anónima para melhorarem os seus próprios produtos e serviços. Muitas outras preferem manter-se numa espécie de jogo à defesa tentando manter-se agarradas a velhos paradigmas que deixaram de ter qualquer utilidade.

(*) número actualizado em Julho de 2007.
Conheça os 6 saberes necessários para a boa solução de problemas:
1. Saber identificar o problema. 2. Saber reunir os recursos necessários. 3. Saber gerir o fluxo de informações. 4. Saber formular as estratégias necessárias.5. Saber gerir as estratégias selecionadas. 6. Saber avaliar as soluções encontradas.

29. Roteiros pelo mundo da wikinomia

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28. Torne-se num curioso compulsivo!

Solte a criança que há em si!
Seja mesmo curioso!

Pois é, num mundo em transformação acelerada, as novidades surgem onde e quando menos se esperam. Hoje temos de ser compulsivamente curiosos para nos mantermos actualizados e podermos, de alguma forma, prever as próprias mudanças e, se possível, sermos seus agentes.
Mas ser curioso, não basta. É preciso perceber aquilo que está surgindo daqui e dali. Isso exige uma grande flexibilidade mental e uma atitude de grande abertura (a tal open mind!).
O que temos de fazer para nos mantermos mentalmente hábeis e astutos? Eis algumas dicas que costumo dar nas minhas conferências:
  • informar-se, estar atento ao mundo e à sua evolução de uma forma activa;
  • não agarrar-se a certezas absolutas, tudo é mesmo relativo;
  • admitir o erro como forma de progresso e avanço;
  • ser guiado por metas e não ser governado por elas;
  • ampliar os conhecimentos, em especial aqueles que podem alimentar a sua inteligência;
  • exercitar a imaginação até aos limites do absurdo para divertir o espírito e flexibilizar a mente criadora;
  • alterar rotinas e hábitos que não se justifiquem;praticar regularmente desporto (o órgão é um cérebro muito sensível ao exercício físico);
  • aprender a relaxar e a meditar para controlar o stress;
  • alimentar-se inteligentemente, com equilíbrio (um cérebro saudável dá mais garantias de inteligência).
A gestão actual exige PAIXÃO!

27. Terá o neuromarketing futuro?

Os conhecimentos sobre o cérebro humano avançam a um ritmo impressionante ao mesmo tempo que novos desenvolvimentos tecnológicos permitem sondar os territórios cerebrais e compreender muitas das suas actividades.
Perguntas "como é a mente?", "como funciona a consciência?", "como disparam as emoções?" e "que alterações funcionais estão por detrás dos comportamentos?" são apenas algumas das questões que a neurociência procura responder tendo como objectivo a cura de enfermidades, o tratamento de alterações funcionais ou a explicação das actividades cognitivas e psicomotoras.
A neurociência estuda o sistema nervoso a partir de uma perspectiva multidisciplinar envolvendo áreas como a biologia, a química, a física, a electrofisiologia, a farmacologia, a genética, a informática, etc. As abordagens são feitas dentro de uma nova concepção da mente humana tendo em vista compreender a origem das funções nervosas, particularmente aquelas mais sofisticadas como o pensamento, as emoções e os comportamentos.
As potencialidades crescentes de muitas disciplinas da neurociência têm atraído numerosos sectores da sociedade, nomeadamente a psicologia, a educação, o desporto, a indústria e, dentro desta, o marketing. Muitos especialistas desta dinâmica disciplina acreditam que a neurociência poderá trazer novos instrumentos de pesquisa capazes de fornecerem mais conhecimentos sobre a mente das pessoas no tocante às suas motivações, preferências, ambições, expectativas e necessidades de consumo.
Acontece, porém, que há quem se esteja a insurgir contra esta tendência temendo a aplicação indevida da neurociência na manipulação da mente do consumidor para a subjugar. Uma simples consulta na internet permite-nos perceber como essa desconfiança tem vindo a crescer. As poucas experiências de neuromarketing realizadas e conhecidas geraram um coro de protestos, especialmente nos Estados Unidos. Tal como a clonagem e a sua aplicação indevida há problemas éticos, legais e sociais que se colocam de forma premente.
Perante tal situação será lícito perguntar: terá o neuromarketing futuro? Penso que sim. Nada impede pensar que o neuromarketing poderá servir os interesses do mercado e da sociedade. Acautelados os interesses e os direitos dos consumidores, o neuromarketing terá, em minha opinião, capacidade para ajudar a indústria e o comércio a melhor servirem os consumidores, nomeadamente através do lançamento de pistas para a inovação e o desenvolvimento de produtos e serviços que satisfaçam melhor as suas necessidades e interesses.
Se lhe interessa saber mais sobre o cérebro humano clique aqui.

26. Ainda sobre tipos de mentes

Tempos diferentes produzem mentes diferentes. Isto deve-se ao facto do chamado ADN psicocultural - formado por valores, crenças, ideologias, etc. - estar sempre em transformação.
Por isso, "novos tempos produzem novos pensamentos à medida que são produzidas novas teorias de tudo, que a história é revista, que as prioridades e os valores são reoordenados-empilhados" - esclareceram os psicólogos Don Edward Beck e Christopher Cowan, em A Dinâmica da Espiral.
Isto quer dizer que a natureza humana modifica-se à medida que se modificam as condições de existência e a história avança. "São metamorfoses psicossocioculturais provocadas por padrões reprodutores de informação que se propagam através das ecologias da mente, um padrão de reprodução muito semelhante ao das formas de vida." - explicou John P Berry, na edição de 1994 da revista Wired.
Essas unidades de informação - conhecidos como memes - circulam nos sistemas humanos. Elas representam estruturas do pensamento que determinam "como" as pessoas pensam (e não com aquilo que pensam). Por causa disso, "os humanos vivem em tempos diferentes ao mesmo tempo" - apontam os psicólogos Don E Beck e C. Cohan.
Enquanto a maioria das pessoas vive segundo padrões de pensamento ainda muito afectados pelos valores, ideologias, crenças, educação e estilos de vida ligados às sociedades agrícolas antigas ou à era industrial cerca de 0,1% da Humanidade vive já de acordo com um novo padrão de actividade cognitiva. Serão os primeiros humanos de uma nova etapa da evolução: os homo sapiens holisticus.
Para saber mais sobre esta matéria procure o meu texto A Dinâmica da Espiral (em Vmemes).

25. Quando o líder enfrenta diferentes tipos de mentes

Da formação de um líder devem hoje constar conhecimentos cruciais sobre os diferentes tipos de mentes com os quais trabalha. As pessoas possuem sistemas de ideias, crenças e valores que podem ser profundamente diferentes de indivíduo para indivíduo mesmo que mergulhados na mesma cultura e na mesma sociedade.
A diferença encontra-se naquilo que eu chamo de "estágios distintos de desenvolvimento da consciência" os quais fazem com que uma pessoa possa estar num patamar de desenvolvimento totalmente distinto até do da sua esposa fazendo com que subtilmente (ou de forma mais vigorosa) ocorram conflitos, incompreensões e desentendimentos, muitas vezes reclamados como "tu não entendes o que eu quero dizer", na verdade significando que "tu não entendes a minha mente e o que eu PENSO sobre aquilo que, afinal, nos separa"!
É algo mais profundo do que acontece com as vulgares "diferenças de opinião" ou "níveis de cultura e saber". Tem a ver muito mais com a "consciência profunda" onde se alojam a visão do mundo, os sistemas particulares de valores, o nível de existência psicológica e as estruturas de ideias e formas de pensar proprias de cada sujeito.
Não existe um só caminho, quer para a inteligência quer para o sucesso. O que as pessoas particularmente bem-sucedidas fazem é encontrar maneiras de potencializar as suas forças!

24. Relendo Toffler e Naisbitt

Alvin Toffler, em 1970: A mudança é o processo pelo qual o futuro invade as nossas vidas, um processo que importa estudar de perto, não apenas do ponto de vista das grandes perspectivas da História, mas também do ponto de vista dos seres viventes que sofrem a sua influência.
A aceleração da mudança, no nosso tempo, é em si mesma uma força natural. O impulso acelerativo tem consequências pessoais e psicológicas, assim como sociológicas.
(...) O choque do futuro é um fenómeno do tempo, uma resultante do aceleradíssimo ritmo de mudança da sociedade, deriva da sobreposição de uma nova cultura numa cultura antiga. É o choque cultural sentido na própria sociedade a que se pertence, mas com um impacto muito mais grave.
John Naisbitt, em 1982: Numa sociedade industrial, o recurso estratégico é o capital; há cem anos, muitas pessoas talvez soubessem como construir uma fábrica de aço, mas nem muitos conseguiriam arranjar dinheiro para o fazer. Consequentemente, o acesso ao sistema era limitado. Porém, na nossa sociedade, o recurso estratégico é a informação. Não será o único mas é o mais importante.
(...) Na sociedade da informação, sistematizou-se a produção dos conhecimentos e amplificou-se a força da inteligência. A nossa fonte do poder não é o dinheiro nas mãos de alguns, mas a informação nas mãos de muitos.

23. Você é um lunático? Então há trabalho para si. Já!


Lunáticos e psicólogos! É assim mesmo que Robert B Reich, economista norte-americano que foi Secretário de Estado do Trabalho da governação Clinton, divide as pessoas tendo em consideração a personalidade e a sua relação com o mundo.
Vamos lá perceber isto. Integram o grupo dos lunáticos todos aqueles que tenham uma inteligência criativa, sejam ousados, inventivos, e apaixonados pela novidade e pela descoberta. Eles são capazes de ver novas possibilidades num determinado ambiente deleitando-se em explorá-las e desenvolvê-las. Têm ideias excelentes e podem ser capazes de análises brilhantes. Geralmente são menos bons nas relações interpessoais (H.Gardner diria que são menos hábeis na inteligência social).
E os psicólogos? Cabem neste grupo aqueles que percebem facilmente e até intuitivamente o ambiente e as necessidades das pessoas sendo capazes de criar respostas para elas. "São os mais lúcidos quando se trata da substância das coisas - escreveu Reich. E, por isso, gostam de falar com pessoas, ouvi-las, orientá-las, descobrir o que lhes vai na alma. Comparativamente com os lunáticos são menos imaginativos (Sternberg diria que são menos hábeis na inteligência criativa).
A sociedade actual necessita muito destes dois tipos de pessoas. Mas onde a procura é maior do que a oferta é no grupo dos lunáticos, nesses tipos criativos capazes de romper com o que já está estabelecido, surpreendendo-nos com as suas ideias e inovações.
E quando o tipo lunático e o tipo psicólogo se juntam numa só pessoa? Bem, então temos tipos excepcionais como Bill Gates, Steven Spielberg, Gianni Versage, Stephen King e muitos outros "que - como diz Reich - possuem uma capacidade fantástica de inventar coisas que as pessoas desejam". Incluindo música, claro, de que são bons exemplos nomes como os do compositor Leonard Bernstein e da pianista Martha Argerich.

Texto inspirado nas lições de Robert B Reich arquivadas no livro O Sucesso do Futuro, Ed. Terramar (2004).

Superdica nr 2: trabalho com futuro!

Segundo Robert B Reich, professor da Universidade de Harvard e ex-membro do governo (democrata) dos Estados Unidos, existem áreas de trabalho muito promissoras para as próximas são décadas. Elas representam já mercados em rápido crescimento nas economias desenvolvidas. São elas:
Saúde: aconselhamento, medicação, aparelhos, tratamentos e exercícios.
Serviços de entretenimento: cinema, teatro, música, desportos, viagens e turismo.
Beleza: moda, cosméticos, produtos de beleza, ginásios, aconselhamento.
Estímulo intelectual: notícias, informações, livros, documentários.
Contacto: internet, clubes de amizade, etc.
Bem-estar familiar: serviços de apoio familiar, educação, lazer, etc.
Segurança financeira: consultoria e serviços bancários e seguros
.



22. Informação ou Conhecimento?

Na nossa época, conhecimento e informação passaram a constituir a matéria-prima da economia. Fazem parte do material intelectual que pode ser usado para criar riqueza. Parece óbvio. Mas acontece que nem sempre se percebe a diferença entre as duas realidades.
Vejamos, então. A informação é algo assim como uma substância que se situa numa posição anterior ao conhecimento. Como tal ela pode ser adquirida, armazenada e possuída por um indivíduo ou uma organização. Pode também ser transaccionada e difundida.
Já o conhecimento é uma criação da mente a partir de informações adquiridas, de experiências vividas e outras aquisições. A informação pode manter-se igual para todos pois ela é exterior à mente. Já o conhecimento é sempre algo que difere de pessoa para pessoa sendo parte integrante da complexidade e imprevisibilidade humanas (Davenport e Prusak, 1998). A aquisição de informações enriquece o conhecimento. A troca de conhecimentos enriquece cada um dos agentes.
Duas equações propostas por Keith Devlin (1999) ajudam a perceber as diferenças conceptuais:
Informação=Dados+Significado
Conhecimento=informação interligada+capacidade para utilizar a informação.
Assim, quando uma pessoa internaliza informação a ponto de a poder utilizar ela adquire conhecimento. Temos então:
(1) Os dados tornam-se informação quando as pessoas os adquirem; (2) a informação torna-se conhecimento quando uma pessoa passa a internalizar a um ponto em que pode fazer dela uso imediato.
Finalmente, a informação existe na mente colectiva da sociedade enquanto o conhecimento existe na mente da pessoa individual (Devlin).
Convem não confundir a informação com a sua representação física (documentos, bits, diagramas e outros suportes.). A informação não é, por conseguinte, física mas abstracta. Situa-se entre o mundo físico e o mundo mental.
A gestão actual exige CRIATIVIDADE!

21. A nova era da colaboração em rede

A wikinomia assenta num princípio antigo: o da colaboração entre as pessoas para alcançarem, juntas, o êxito na conquista dos objectivos que comunguem. Mas a wikinomia é um conceito moderno, nascido já no século XXI. Ele diz respeito à colaboração em massa através das novas infra-estruturas tecnológicas de comunicação interpessoal.
Um simples exemplo: no momento em que escrevo este post dezenas de milhões de pessoas e organizações em todo o mundo partilham notícias, informações e opiniões na blogosfera (uma rede auto-organizada de mais de 50 milhões de sitios onde alguns dos maiores blogues recebem meio milhão de visitas por dia (!), rivalizando com muitos jornais).
Mas não são apenas ideias, opiniões e notícias que são trocadas na internet. O conhecimento é também partilhado assim como transacções comerciais, acções de solidariedade, etc.
Há pois toda uma rede inteligente que ultrapassa a mera estrutura tecnológica que lhe serve de base: é uma verdadeira infosfera que liga os seres humanos, os quais, dessa forma, estão a partilhar a sua inteligência, conhecimentos, informações e ideias!
Esta ligação em rede pode mudar a inteligência de uma empresa fazendo com que o conhecimentoo colectivo se apoie na resolução de problemas e na inovação. "É, assim, uma era de imensas promessas inovadoras e de oportunidades inimagináveis" (in Wikinomics).
A ampla abertura da comunicação interpessoal que a internet e as outras tecnologias nos proporcionam vão obrigar as empresas a adoptar uma nova postura face aos mercados. Jamais poderão abrigar-se dentro das paredes das fábricas e dos escritórios como era comum antigamente. Elas têm de ser agora transparentes e, em definitivo, estabelecerem novas formas de relacionamento com os seus públicos (internos e externos). A empresa tradicional, fechada sobre si mesma, já não tem mais ar para respirar. Morrerá sufocada se não se abrir para o mundo.
Os riscos de uma mudança radical são elevados. Mas as vantagens são muito mais prometedoras.

20. Risk Intelligence: como agir na incerteza!

David Apgar, Managing Director da consultora Corporate Executive Board e professor de Risk Management and Development na Johns Hopkins School of Advanced International Studies, escreveu que a risk intelligence é uma disciplina estratégica central no mundo dos negócios. E, por isso, lançou um livro sobre o assunto. Nele defende que é possível avaliar-se o risk I.Q. - qualquer coisa como Quociente de Inteligência de Risco.
Ora num mundo feito de complexidade, incerteza, imprevisibilidade e rapidez, a inteligência de risco é algo que deve ser levado muito a sério. Não é uma subtileza académica ou um tema que só interesse à psicologia cognitiva. Da sua composição fazem parte a capacidade de visão estratégica, o sentido crítico e uma mente flexível.
A inteligência de risco é sobretudo analítica e prepara para as decisões. Mas não ignora o conhecimento intuitivo. Ela obriga a uma colheita intensiva e ampla de dados que reduzam ao mínimo o desconhecido e serve-se da intuição estratégica para avançar etapa a etapa.
Um dos principais problemas do conceito de inteligência de risco resulta do facto dela poder ser confundida com prudência queimando tempo precioso para a tomada de decisões rápidas e ao mesmo tempo seguras.
David Apgar refere que a inteligência de risco pode ser entendida como uma habilidade para navegar entre bancos de nevoeiro e icebergs.
Pode desenvolver-se a inteligência risco? Sim, é possível aprender alguns modelos de raciocínio. Voltarei ao tema um dia destes.

19. Que tal criar a "hora da sesta" nas empresas?

Os nossos vizinhos espanhóis (e não só), que tão bem souberam cultivar a sesta, viram, mais uma vez, a ciência dar-lhes inteira razão: a sesta a meio do dia é altamente benéfica não apenas para a saúde em geral como para a destreza mental, a memória e a inteligência em particular.
Já se escreveu alguma coisa sobre o assunto mas foi Sara C Mednick (investigadora no Salk Institute, CA e consultora das Forças Aramadas dos E.U.) quem, recentemente, revelou as últimas descobertas seguras sobre as vantagens da sesta.
Tendo como ponto de partida os ensinamentos colhidos em investigações anteriores de James B Maas (autor de Power Sleep), David F Dinges (responsável pelo primeiro trabalho académico sobre a sesta) e William C Dement ("o pai da medicina do sono"), Sara C Mednick relançou o tema e com tanto sucesso que a sua investigação foi notícia pela CNN, o The Economist, The Wall Street Journal e outros órgãos de comunicação.
E, então, o que temos de novo? Várias coisas tais como: uma sesta com sonhos aumenta a percepção e a criatividade, uma sesta com mais sono de "ondas lentas" ajuda a memória e clarifica a mente e uma sesta marcada por sono do tipo "fase 2" (temos 5 fases de sono) amplia o estado de alerta e as competência motoras.
Numa sociedade como a nossa, em que nos deitamos frequentemente tarde (muito depois do sol posto) sofremos de uma permanente privação de sono. Isto é também perigoso. Não apenas ficamos com o cérebro debilitado como podemos provocar acidentes! (Lembram-se do encalhe do super-navio Exxon Valdez, no sul do Alasca, em 1989, que levou ao derramamento de 38.000 m3 de petróleo com a consequente morte de milhares de animais ao longo de 2 mil quilómetros de costa e 2500 milhões de dólares de despesas de limpeza? A investigação concluiu que o acidente foi devido ao sono do terceiro-imediato que estava há 18 horas sem dormir!).
Dados recentes publicados pela Universidade de Cornell mostraram também que a falta de sono é a principal causa de fadiga dos trabalhadores norte-americanos. Isto custa à indústria dos EUA qualquer coisa como 150.000 milhões de dólares de prejuízo por ano devido à diminuição da produtividade laboral e aos acidentes decorrentes do cansaço.
Pois o que Sara C Mednick concluiu foi que: (1) o cansaço por falta de sono pode provocar diferentes problemas de saúde (redução das defesas do nosso organismo, dificuldades de concentração, memória e raciocínio, etc.); (2) a falta de sono reduz significativamente a produtividade devido à fadiga acumulada; (3) essa fadiga pode provocar acidentes (laborais, rodoviários, etc) e (4) para além de necessitarmos de dormir mais durante a noite devemos fazer uma interrupção diária para dormirmos (a famosa sesta).
Embora cada pessoa tenha necessidades diferentes no que se refere ao tipo de sesta (falarei disto oportunamente) a investigação concluiu ainda que a prática continuada da sesta ajuda a: - aumentar o estado de vigilância; acelerar o desempenho corporal e motor; melhorar a precisão; tomar melhores decisões; melhorar a capacidade de percepção; preservar um aspecto jovem (a fadiga envelhece); melhorar a vida sexual (que tal?); perder peso (quem diria?); reduzir o risco de ataque cardíaco (!); reduzir o risco de diabetes; melhorar o vigor físico; melhorar o estado de espírito; aumentar a criatividade; reduzir o stress; ajudar à memória; reduzir a dependência de drogas e de álcool; diminuir a probabilidade de enxaquecas, úlceras e outros problemas psicossomáticos; melhorar a qualidade do sono nocturno, etc.
Se quiser saber mais sobre o tema leia o Journal Sleep.

18. Os Executivos na Era da Wikinomia!

Já estou um pouco farto dos livros sobre liderança e outros tantos de auto-ajuda para gestores e executivos em geral. Na verdade, não fazem mal nenhum mas começam a assemelhar-se e há obras que pouco acrescentam.
Há, contudo, um livrinho de 1999, que se intitula O Gestor do Século XXI que é muito interessante e útil. E mantem-se muito oportuno. Os autores são Phil Hodgson e Stuart Crainer e foram patrocinados pelo Financial Times.
A meio da obra (que tem 232 páginas), eles abordam as Bases de Criação de Alta Capacidade de Execução. É um capítulo bem interessante. No fim da primeira parte, por exemplo, os autores sugerem que se ponha em prática aquilo que designam como modelo de Estratégia de Alta Capacidade por oposição à estratégia empresarial convencional.
Eis algumas das características da nova abordagem:
- envolve toda a gente; desafia; quebra barreiras; duvida do consenso imediato; aprende com o que se passa fora da empresa; aceita a incerteza como um facto normal no mundo de hoje; produz documentos curtos e directos por oposição a volumes e volumes de documentos, etc.
Embora escrito já há uns anos, digamos que todo o livro se revela um verdadeiro manual de gestão adaptado à Wikinomia.
O livro conta inúmeros casos e tem boa bibliografia no fim de cada capítulo.
A edição orginal é da CETOP. Recomenda-se.

17. Inteligência ao ritmo da Wikinomia!

Infelizmente a escola tradicional não fomenta a inteligência plena.

Num mundo ao ritmo da wikinomia é altura de pensarmos em como melhorar a nossa própria performance.
Em 2000, o reputado professor de psicologia Robert Sternberg, em colaboração com Elena Grigorenko, lançaram um pequeno manual cujo título em português a Editora Artmed (Brasil) cunhou de Inteligência Plena. Embora fosse escrito a pensar na valorização da inteligência na escola e tivesse como alvos, por conseguinte, os professores, o livro é uma obra prática que nos ensina (a todos) a desenvolver a totalidade da inteligência.
Sternberg chama de inteligência plena ao conjunto das capacidades de pensamento analítico, criativo e prático que se observa nas pessoas bem-sucedidas. Ela envolve então:
a) O conjunto das capacidades necessárias para podermos atingir o sucesso na vida.
b) A capacidade de reconhecermos e aproveitarmos ao máximo as nossas aptidões e talentos.
c) A capacidade de reconhecermos e de compensarmos (ou corrigirmos) os nossos pontos fracos.
d) A capacidade de nos adaptarmos a, modificarmos e seleccionarmos ambientes ajustando o nosso pensamento ou comportamento para uma melhor adequação ao ambiente em que estivermos a actuar, ou então escolhermos um novos ambiente.
A inteligência plena exige capacidade analítica. Isto tem a ver com a capacidade de observação, atenção, avaliação e comparação. A capacidade criativa envolve o pensamento divergente, a inventividade e a descoberta. Finalmente, a capacidade prática é a execução, aplicando aquilo que se sabe. É óbvio que neste conceito está implicita a capacidade de relacionamento com os outros (inteligência relacional, interpessoal ou social).
Nos ambientes de trabalho a capacidade menos valorizada e treinada é a criativa. Tal como na escola. Mas a criatividade pode ser fomentada nas empresas através da formação, da provocação e da própria criação de condições que desafiem a imaginação criadora de todos.

Institute for International Research

A convite do Institute for International Research, lider mundial em formação e informação para empresas, vou dirigir dois seminários em Lisboa. O primeiro é sobre Mapas Mentais. Procurei criar um programa rico em ideias, pistas e actividades, com alguma originalidade. São dois dias no final de Janeiro. Conheça o programa.
O outro, a realizar em Março, é dedicado ao Brainfitness. O tema é novidade. O Brainfitness (também conhecido como Mentalfitness) é pura ginástica (e não só) para os neurónios e o objectivo é transmitir ensinamentos e exercícios que poderão francamente enriquecer o trabalho mental dando mais elasticidade ao pensamento e tornando-o mais fluído e criativo. O Brainfitness está reconhecido como uma disciplina de indiscutível interesse para quem tem de puxar (e muito) pelos neurónios. Pode consultar aqui o respectivo programa. Para saber mais sobre o tema consulte o blogue do Instituto da Inteligência sobre o assunto.
A gestão actual exige INTELECTO!

16. A urgência da criatividade nos negócios

Os ambientes formais são pouco favoráveis à imaginação criadora.

Desde há muitos anos (décadas) que se fala da importância da criatividade no mundo dos negócios. Aliás, a época de ouro dos manuais de criatividade foram as décadas de 50 e 60. Publicaram-se então imensos livros e tratados, sobretudo nos Estados Unidos.
Até nós chegaram apenas os ecos dessa euforia pois ainda hoje a criatividade é matéria que não atrai muitos participantes aos seminários empresariais dedicados ao tema. Associa-se naturalmente a criatividade ao talento artístico e muito pouco às ideias inovadoras. Ora, num mundo competitivo e carregado de múltiplos focos de interesse, são as novas ideias que podem ajudar as empresas a manterem-se....competitivas.
Uma empresa sem ideias que ajude a mantê-la atractiva num mercado que tem muitos outros elementos de distração (e concorrentes) é uma empresa condenada. Aliás, as boas empresas são criativas mesmo que os seus dirigentes considerem que a criatividade é matéria para os académicos e os artistas.
Não faltam exemplos curiosos de como se pode incentivar as equipas a serem criativas. Por exemplo, a Mattel Inc. (fabricante de brinquedos) inventou uma sala parecida com uma casa em cima de uma árvore a qual funciona como um "ninho de ideias" e onde os empregados passam algumas horas. A Ideo Inc. (design) faz frequentes reuniões de brainstorming em que os mais estranhos objectos são colocados numa mesa para produzirem inspiração junto dos seus técnicos. A Red Swoosh INc. (informática) envia os seus seis funcionários para longe dos escritórios (em S.Francisco) durante uns dias por ano para fugirem da rotina e trabalharem em ambiente diferente (já estiveram na Tailândia e no México).
Outras técnicas (mais banais mas igualmente úteis) podem ser aplicadas. Por exemplo, o professor William Dugan, da Universidade de Columbia, acha que as empresas devem pedir aos seus colaboradores que anotem todos os "lampejos de criatividade" que lhe ocorram nos lugares e nas horas menos esperadas (em passeio, aos fins-de-semana, na casa de banho, etc.).
Para mim, que ensino Brainfitneess, considero que "quebrar as rotinas" continua a ser uma das mais produtivas formas de convidar o cérebro a "divergir", isto é, a ter ideias novas. Ou seja, quando estamos meses (anos) a fazer as mesmas coisas e nos mesmos lugares, ficamos de tal forma prisioneiros do conforto das rotinas que o cérebro torna-se claramente preguiçoso e a mente fica incapaz de aceder à imaginação fértil. Aliás, frequentemente torna-se estéril. Não é por acaso que o exercício mental activo ajuda a travar a doença de Alzheimer.
No mundo da Wikinomia a criatividade é não apenas o bem mais precioso das empresas competitivas como o único remédio para as que necessitam encontrar novas saídas (novos produtos, novas estratégias, nova linguagem de marketing, etc.).

15. Qual é o seu Q.I. Executivo?

Finalmente chegou-me às mãos o livro de Justin Menkes "Executive Intelligence - What All Great Leaders Have" (2006).
O livro de Menkes é quase uma pedrada no charco pois, com clareza, reabilita a inteligência plena nas suas vertentes analítica, criativa, relacional e prática.
Depois de anos em que a "inteligência emocional" se tornou quase num credo e numa espécie de remédio para todos os males das empresas, Menkes vem-nos clarificar as ideias e garantir que a inteligência executiva é aquela que está por detrás das boas decisões.
Não sendo uma habilidade isolada, esta inteligência apresenta-se, com efeito, como uma mistura de aptidões críticas que ajudam as pessoas a tomarem decisões e a comportarem-se de acordo com as exigências imediatas que decorrem das suas escolhas. E, por isso, ela é especialmente prática já que nos ajuda a desempenhar tarefas, a trabalhar em equipa e a fazermos uso pleno da auto-crítica como instrumento de desenvolvimento pessoal.
Justin Menkes dirige a firma de consultadoria
Executive Intelligence.

Superdica nr 1: para melhorar a sua memória!

Todos sabemos o que é a memória. É indispensável para toda e qualquer operação mental, incluindo para o entendimento de quem somos e qual a nossa história pessoal.
Muitas pessoas queixam-se que a memória lhes falha com alguma frequência preocupante. Antes de pôr-se a caminho do médico ou entrar em pânico imaginando o pior, faça o seguinte durante uns 15 dias:
- reduza os níveis do seu stress negativo; verifique se não está a tomar algum medicamento anti-inflamatório (os não-esteróides podem prejudicar a memória); modere o consumo do álcool (ele reduz as concentrações de cálcio no cérebro entre outros males); não beba água da torneira (nas cidades mais antigas as canalizações podem libertar químicos tóxicos, alumínio, chumbo, cloro e coliformes fecais); evite as gorduras saturadas (reduzem o oxigénio para o cérebro); atenção à cafeína (em excesso dificulta a concentração); e, mantenha o seu equilíbrio emocional (quando os centros da emoção no cérebro estão muito activados reduzem a capacidade de trabalho da memória).
Para se proteger faça exercício físico regularmente (sobretudo ande muito a pé), ouça boa música (não estridente) e aprenda a fazer respiração tai-chi (pesquise na net ou escreva-me para eu lhe oferecer um texto com as técnicas básicas).
Se tudo isto não lhe colocar a memória a funcionar plenamente em duas semanas, é melhor ir ao médico.

14. Seja um Visionário!

A sociedade humana avançou porque, ao longo da sua história, apareceram uns tipos que conseguiam ver além do óbvio e do que lhes aparecia à frente do nariz. Esse fulanos pensavam pró-activamente. E aqui entra um factor decisivo em todas as épocas: o "horizonte de tempo". O que é isto?
Pois bem, chama-se "horizonte de tempo" à capacidade de concebermos o tempo na nossa mente e de nos projectarmos no futuro. Mais precidamente, é o período cognitivo dentro do qual somos capazes de projectar, planear e executar acções no futuro.
Elliot Jacques, um antigo professor de sociologia britânico, chamou a esta capacidade "janela do tempo". Ele foi peremptório: "a duração máxima de tempo que a mente de uma pessoa pode alcançar permite avaliar e definir o nível do poder cognitivo dessa pessoa".
Geralmente, as pessoas com um horizonte de tempo amplo são bastante inteligentes e, por isso, podem ser magníficos visionários (no sentido em que percebem as mudanças subtis que ocorrem na sociedade e são capazes de intuitivamente conceber o que vai acontecer), além de excelentes condutores de missões.
Efectivamente, aumentam as provas (científicas) de que quanto mais longe o nosso cérebro for capaz de "trabalhar" no tempo mais inteligentes nos tornamos. Essa capacidade está localizada nos chamados "lobos frontais", as zonas mais modernas (em termos evolutivos) do cérebro humano.
Nas pessoas em que o "horizonte de tempo" é pequeno verifica-se alguma rigidez na elasticidade de resposta a desafios em que o factor tempo seja prioritário.
Em épocas como a nossa - em que temos de lidar com a complexidade, a ambiguidade, a rapidez dos acontecimentos e o paradoxo - as pessoas habilitadas a funcionar com amplos "horizontes de tempo" estão mais à-vontade para responderem criativamente aos desafios.
Robert Cooper, um prestigiado psicólogo organizacional, foi um extraordinário professor que me fez perceber a importância que cada um de nós deve dar ao factor "tempo" e à "percepção do futuro".
Recordo alguns dos seus conselhos para agilizar a mente e desenvolver nela o "horizonte de tempo":
- estar abertos a todas as fontes de informação;
- procurar mais do que uma resposta para os problemas;
- usar conhecimentos ou dados contraditórios para gerar respostas alternativas;
- pensar fora das regras e normas habituais (ser criativo e inovador!!);
- dar atenção a tudo aquilo que, relativamente a um problema, fique por dizer;
- não ter receio de gerar "novas teorias" ou de "ver as coisas de forma diferente";
- encarar a incerteza como recurso!
Aquele professor sugeria também que, para começar, deveríamos desenvolver "uma visão pessoal do tempo futuro" (uma verdadeira "autobiografia futura"), imaginando-nos a actuar num tempo futuro.
Aliás, este é um exercício que costumo aconselhar frequentemente às pessoas com alguns problemas de adaptação: convido-as a imaginar onde gostariam de estar e de fazer a 5 ou 10 anos de distância! Não é um trabalho de adivinhação mas de preparação mental e de expansão da consciência para o futuro. Os resultados são habitualmente muito animadores.
Como se faz isso? Recordemos as palavras do professor: programar algum tempo semanal para, num lugar calmo, olhar para o futuro "vendo-nos" a actuar onde gostaríamos de estar. É um trabalho pró-activo é susceptível de alargar o nosso "horizonte de tempo".
Estámos muito agarrados ao passado (estudamos a História), vivemos muito dependentes do que já aconteceu nas nossas vidas.
O agora é fugidio e também não lhe prestamos a atenção devida. Olhando mais para a frente - o futuro - restam-nos planos, ambições ou medos. Há quem se recuse a pensar na vida a mais de uns quantos meses para a frente.
Em rigor, o futuro, de facto, não existe; está por acontecer, é indeterminado. Mas ao desenvolvermos a nossa "visão" interior ficaremos mais aptos a enfrentar com sucesso e de forma positiva tudo aquilo que o futuro nos trouxer. Por outro lado, ficaremos mais habilitados a modificarmos no presente elementos que irão repercurtir-se no futuro, alterando aquilo que um tanto fatalisticamente chamamos de "destino".


Leituras adicionais:
http://www.infofuturo.blog.com/

13. Megatrends!

Saiba mais em Word Future Society

Forecast #1: Generation Y will migrate heavily overseas.
For the first time, the United States will see a significant proportion of its population emigrate due to overseasopportunities. According to futurists Arnold Brown and Edie Weiner, Generation Y, the population segment born between 1978 and 1995, may be the first generation in U.S. history to have many of its members leave the U.S. to pursue large portions of their lives, if not their entire adult lives, overseas.
Forecast #2: Dwindling supplies of water in China will impact the global economy.
With uneven development across China, the most water-intensive industries and densest population are in regions where water is scarcest. The result is higher prices for commodities and goods exported from China, so the costs of resource and environmental mismanagement are transferred to the rest of the world.
Forecast #3: Workers will increasingly choose more time over more money.
The productivity boom in the U.S. economy during the twentieth century created a massive consumer culture-people made more money, so they bought more stuff. In the twenty-first century, however, workers will increasingly choose to trade higher salaries for more time with their families. Nearly a third of U.S. workers recently polled said they would prefer more time off rather than more hours of paid employment.
Forecast #4: We’ll incorporate wireless technology into our thought processing by 2030.
In the next 25 years, we’ll learn how to augment our 100 trillion very slow interneuronal connections with high-speed virtual connections via nanorobotics. This will allow us to greatly boost our pattern-recognition abilities, memories, and overall thinking capacity, as well as to directly interface with powerful forms of computer intelligence and to each other. By the end of the 2030s, we will be able to move beyond the basic architecture of the brain’s neural regions.
Forecast #5: Children's "nature deficit disorder" will grow as a health threat.
Children today are spending less time in direct contact with nature than did previous generations. The impacts are showing up not only in their lack of physical fitness, but also in the growing prevalence of hyperactivity and attention deficit. Studies show that immersing children in outdoor settings-away from television and video games--fosters more creative mental activity and concentration.

12. Tem mais de 30, 40 ou 50 anos de idade? Então divirta-se com os videojogos!

As actividades de lazer foram altamente enriquecidas com a invenção do computador e mais tarde das consolas de jogos. Actualmente, 3 em cada 4 jovens portugueses têm videojogos e a tendência é para esse número aumentar (dados da empresa de estudos Marktest).
Quer se goste quer não, os videojogos vieram para ficar e fazem parte da vida actual. Tentar ignorá-los ou evitar que entrem nas nossas casas é uma tarefa desajustada do mundo moderno dominado pela tecnologia.
A verdade é que os jogos são, na generalidade, atractivos e contribuem para o bem-estar psicológico de quem os pratica. Usados com moderação podem fomentar novos conhecimentos e, no mínimo, ajudar à destreza mental.
Mas mais interessante ainda: os videojogos também podem ser úteis aos adultos (pais e avós) divertindo, ajudando a combater o stress e agilizando a actividade cognitiva! E também contribuem para que os mais velhos se aproximem dos mais pequenos e joguem (com os filhos ou os netos) em vez de ficarem passivamente a ver televisão (situação que é bem mais prejudicial do que estar a jogar no computador ou numa consola!).
Se é dos que torcem o nariz à "invasão" dos videojogos tire então a ideia de que eles são apenas para os mais novos. Isso é coisa ultrapassada. Saia do sofá, afaste-se do televisor e vá jogar (sozinho ou, melhor ainda, com os seus miúdos)! Sinta-se (seja!) jovem, adapte-se às novas propostas de diversão, acompanhe as tendências do mercado e forneça aos seus neurónios (aborrecidos da rotina) novos desafios! Jogue!
Eis uma mão cheia de boas propostas: Videojogos

11. Como a tecnosfera revolucionou o mundo dos negócios!

Don Tapscott e Anthony Williams, da New Paradigm, lançaram um livro que está a causar furor. Leva o inesperado (ou talvez não) título de Wikinomics!
E o que é isto? Wikinomics "é um novo modelo económico que se baseia na potência da colaboração. É um conceito que foi criado na premissa que a abertura é melhor do que plataformas secretas; que ter parceiros é uma proposta de negócio melhor do que ter fornecedores; que produtos desenhados pelos próprios consumidores são melhores do que produtos inventados por engenheiros num laboratório fechado; que utilizar recursos pelo mundo a fora através de uma estrutura de colaboração sem muitas restrições produz melhores soluções e mais inovações do que uma estrutura hierárquica formal com um número limitado de recursos" (
Read Article).
O Choque do Futuro, descrito por A.Tofler nos anos 70, aí está com toda a sua força fracturante.
Baseado num projecto de pesquisa de 9 milhões de dólares, o Wikinomics mostra como multidões de pessoas podem participar na economia em colaboração com universidades, empresas e até governos. Já não se trata do trabalho em equipa mas a da participação, graças à internet, de muitas outras pessoas exteriores às empresas, génios inventivos anónimos ou criativos que andam por aqui e ali e que podem ser chamados a participar no desenvolvimento de produtos e serviços. Não é por acaso que o livro traz como subtítulo A Nova Economia das Multidões Inteligentes.
O Wikinomics está a desafiar normas, hábitos e crenças enraizadas. O futuro das empresas passa pela tecnosfera que envolve o planeta juntando milhões de cérebros que tanto podem ser de clientes, como de fornecedores, artistas, cientistas ou o público anónimo. Ignorar a força dessa imensa rede mundial de mentes que está ligada à internet é parar no tempo e ser ultrapassado por aqueles que já entenderam como funciona a nova
economia!
PS: O livro já está nomeado para o livro de negócios do ano!
Ler mais em: http://www.cienciahoje.pt/23695
Edição portuguesa: Quidnovi (www.quidnovi.pt). Preço Fnac: 17.06 Euros
A gestão actual exige INICIATIVA!

10. Gestão em fase de revolução total!

Com o crescente aumento do número de trabalhadores exercendo actividades intensivas que directamente envolvem a criação, a distribuição ou a aplicação de informação e conhecimento (nos Estados Unidos já representam 40% da força de trabalho!) torna-se óbvio que se impõe um novo modelo de gestão empresarial diferente dos que se aplicaram com mais ou menos sucesso durante a sociedade fabril.
Como escreveu Thomas Davenport (em Thinking for Living: How to Get Better Performance and Results from Knowledge Workers, 2005) a gestão da economia da Era do Conhecimento obedece a regras diferentes porque "o jogo é diferente". E isso não deve ser ignorado nem desprezado.
O trabalho feito na base do conhecimento é hoje a chave para o crescimento e a diferenciação. Enquanto o trabalho físico, braçal, manual, automatizado e repetitivo está a decrescer nas sociedades pós-industriais, aumenta aquele que utiliza preferencialmente o pensamento, a informação e o conhecimento.
Enquanto antigamente o trabalho do gestor consistia em pensar e o trabalhador em agir hoje as coisas já não se passam assim.
Davenport, que tem vindo a estudar esta matéria, destaca as seguintes mudanças que a gestão moderna está a enfrentar:
  • de observadora do trabalho está a passar a Executante;

  • das hierarquias organizadas a comunidades organizadas;

  • da contratação e despedimento de trabalhadores ao seu recrutamento e retenção;

  • da criação de competências físicas à criação de competências de conhecimento;

  • da avaliação do desempenho do trabalho visível à identificação de conquistas invisíveis em termos de conhecimento;

  • de ignorar a cultura à construção de uma cultura "amiga do conhecimento"

  • de apoio à burocracia à ruptura com ela;

  • da depedência do pessoal interno à consideração de uma variedade de fontes.

Na verdade, estas aparentemente simples mudanças representam uma grande revolução nos modelos de gestão a que temos estado habituados. Voltarei ao tema.

9. Ter sentido crítico!

Um das habilidades que devem estar presentes no mundo dos negócios é o sentido crítico - uma aptidão relacionada com aquilo que o filósofo grego Aristóteles chamava de “juizo” e que ele dizia ser “uma das faculdades da alma, obra do pensamento e da sensação”. O sentido crítico pertence ao domínio da inteligência executiva.
Entende-se que um indivíduo dotado de sentido crítico “é aquele que possui a capacidade de analisar e discutir problemas inteligente e racionalmente, sem aceitar, de forma automática, as suas próprias opiniões ou opiniões alheias” - escreve o profbssor de psicologia David Carraher.
O sentido crítico pode também ser definido como “um processo de formação de uma opinião ou conclusão baseada em informação acerca de uma situação e, idealmente, chegar a uma conclusão que pondera e reconhece os elementos importantes do tema” - dizem os psiquiatras Paula Trzepacz e Robert Baker.
O sentido crítico resulta de uma conjugação de factores relacionados não só com a inteligência mas também com a personalidade, o humor, capacidades cognitivas diversas e circunstências da vida, podendo ser afectado por factores culturais e sociais. A sua relação com a inteligência é muito grande. De tal forma que as pessoas com atrasos mentais, não sendo geralmente capazes de pensamentos abstractos, apresentam uma capacidade muito limitada de formular juizos.
As características da pessoa com sentido crítico são as seguintes:
- alta habilidade para pensar criticamente e lógicamente;
- uma atitude de constante curiosidade intelectual;
- critica de si mesmo e dos outros;
- gosta de investigar e fazer muitas perguntas;
- entende com facilidade princípios gerais;
- não é propensa a aceitar afirmações, respostas e avaliações superficiais;
- revela habilidade na compreensão da estrutura de argumentos em linguagem natural;
- é capaz de fazer a distinção entre questões de facto, de valor e questões conceituais;
- mostra habilidade para penetrar até ao cerne de uma discussão ou debate;
- tem geralmente um sentido de humor desenvolvido.
- humildade quanto baste;
- boa dose de inteligência dita "emocional"!
(O "sentido crítico" tem sido o tema central de algumas palestras que tenho proferido em escolas e empresas).

8. Funky Businesssssssssssss....!

Os professores Kjell Nordstrom e Jonas Ridderstrale, da Faculdade de Economia de Estocolmo, escreveram um livro a que deram o título de Funky Business.
Nele descrevem um mundo em desintegração criativa, o nosso mundo. Ao mesmo tempo mostram-nos a nova sociedade que estamos a construir, muito diferente do que foi anteriormente: novas formas de trabalhar, novas profissões, novos modelos de liderança, novas organizações.
Alertam-nos para o facto da vantagem competitiva (nas pessoas, nas empresas, nos governos, nas nações) residir em ser diferente. Por isso, a chave do sucesso está, mais do que nunca, nas nossas cabeças, isto é, no cérebro e no que ele guarda: inteligência, criatividade, saberes, talentos.
Assim, a sociedade está a reestruturar-se e só sobreviverão aqueles que dispuserem de fórmulas exclusivas. Ou seja: cada um de nós deve procurar assumir-se pela diferença, para melhor, tirando partido dos seus talentos e aptidões. Num mundo competititivo, a competência é bem paga. De que é que está à espera para mudar?

As «leis» de mercado viradas do avesso!
1. Os preços serão fixados em tempo real. A economia do leilão vai triunfar.
2. A tecnologia sempre mudará mais rápido do que o sistema legislativo.
3. Serão as pessoas a «empregar» empresas e não o contrário.
4. Cada um de nós transformar-se-á num micro-mercado de oferta e procura.
5. As empresas tornar-se-ão descartáveis.
6. As empresas acabarão por pagar para lhes darmos atenção.
7. Os clientes criarão tribos globais.
8. Os clientes serão donos do mercado.
9. Os lucros virão da emoção e da imaginação.
10. O vencedor mama tudo - mas só por um curto período de tempo!
Saiba mais e divirta-se em http://www.funkybusinessforever.com/
Leia:
Entrevista (em português)

7. Email da Funky Tribe (Estocolmo)

Dear Nelson,
We are very happy to hear from you. You seem to be a real member of the Funky Tribe. We would love to read more about your blog. I have tried to read it but it is unfortunetaly in Portugese. But what I saw looks verygood.
May be you would like to tell us a little bit more about yourself and your blog. Would be very interesting.
You could even publish your information and insights on the website of the Funky Tribe if you like.
We do look forward to hear from you!
All the best from sunny Stockholm,
Simone
FUNKY TRIBE

6. Como os mapas mentais ajudam a pensar melhor!

O cérebro é o resultado de 550 milhões de anos de evolução dos sistemas nervosos animais. Ele guarda mais de 100 mil milhões de neurónios. E cada um tem 1.000 a 10.000 pontos de contacto entre eles.
Este imenso universo de células inteligentes ajudam o cérebro a funcionar como um processador de dados e de elaboração de informações e conhecimentos através de mais de 500 mil operações mentais por segundo.
Os mapas mentais constituem uma forma de registo gráfico de pensamentos, ideias e informações através de palavras-chave, números, imagens, cores e linhas.
Sendo o cérebro um órgão de recolha, registo e elaboração de dados, os mapas mentais permitem, de forma orientada e criativa, a produção, a visualização e a integração de conhecimentos.
Facilitando as conexões neuronais do cérebro, os mapas mentais permitem potenciar o exercício do raciocínio e explorar as possibilidades da inteligência analítica, criativa e prática.

Os mapas mentais são muito vantajosos para a operacionalidade do pensamento, seja ele analítico, explorativo, criativo ou executivo.
Eles ajudam a uma melhor exploração da inteligência das equipas e dos indivíduos, potenciando as suas capacidades mentais de observação, registo e tomadas de decisão.
Entre outros benefícios, os mapas mentais permitem:

  • - obter uma visão global e detalhada de assuntos complexos e extensos;
  • - associar e organizar grandes quantidades de informação;
  • - produzir soluções para problemas através da descoberta de caminhos novos e criativos;
  • - aumentar a capacidade de produção criativa de ideias, pistas, raciocínios, etc.;
  • - facilitar a concentração nos problemas essenciais e decisivos;
  • - rendibilizar o trabalho de equipas;
  • - optimizar o trabalho cerebral nas actividades executivas.

O que podemos ganhar com a técnica dos mapas mentais?

Aprendendo a construir e a gerir mapas mentais, podemos melhorar e ampliar diversas habilidades cognitivas e emocionais tais como:
- fazer associações de ideias e saberes;
- organizar pensamentos;
- planificar e projectar;
- registar dados, informações e ideias;
- produzir ideias;
- gerir conhecimentos;
- expor e comunicar;
- tomar decisões;
- melhorar o trabalho em equipa.

5. Diferentes mundos nos separam

O mundo deste início do século XXI é, mais do que nunca, plural. Um número considerável de seres humanos habita regiões cultural e socialmente distantes e diferentes entre si. Na própria sociedade ocidental biliões de cidadãos, ainda que mergulhados em hábitos e comportamentos de consumo de massa, com acesso aos mais diversos produtos (incluindo os culturais) e serviços, situam-se em níveis de evolução diferentes tendo do mundo e do futuro (seus e da sociedade) visões e expectativas muito diversas.
O que separa os homens não são tanto as diferentes civilizações, culturas ou personalidades mas as diferentes formas de concepção do mundo e de visões do futuro. Essa separação pode ocorrer entre pessoas que habitam sob o mesmo tecto, na mesma rua, na mesma cidade, no mesmo país. Toda esta heterogeneidade é de uma riqueza extraordinária e tem contribuído para o desenvolvimento humano e o progresso social, económico e científico. Mas também explica porque as pessoas nem sempre se entendem, porque se guerreiam por coisas triviais, porque defendem até à morte as suas crenças e porque mantêm conflitos durante gerações. O meu blogue
http://www.nelsonlima.blog.com/ e http://www.infofuturo.blog.com/ dão-lhe pistas para aceder à Dinâmica da Espiral.

4. IBM diz que há falta de líderes

Segundo as conclusões de um estudo da IBM (relatório "Capital Humano Global), realizado em 40 países junto de executivos da área de recursos humanos, assiste-se a uma grave crise de liderança nas empresas espalhadas pelo mundo.
Carisma, determinação e poder de persuasão parecem não abundar nas organizações empresariais neste momento. O problema é sobretudo notório na região da Ásia-Pacífico, América Latina e Europa. No Japão e na América do Norte a situação não é melhor mas parece ser menos preocupante.
Mais de um terço dos participantes daquele estudo realçou que as competências dos seus colaboradores não se encontram alinhadas com as prioridades actuais das empresas. A maioria referiu que um dos grandes desafios é a incapacidade de se desenvolverem competências de forma rápida. Segundo outros é também preocupante a diferença entre as gerações.
Na verdade, o pessimismo dos executivos de RH é elevado. Apenas um número muito baixo de inquiridos (14%) admite que os seus colaboradores têm capacidade para se adaptarem a situações de mudança.
O estudo refere que são três as competências críticas de sucesso para o desenvolvimento de activos capazes de se adaptarem às exigências actuais das organizações: prever e antecipar cenários de negócios; capacidade de localizar competências e capacidade para impulsionar a colaboração. Ora o estudo da IBM concluiu que existem poucos dirigentes que reunam essas competências em simultâneo. Definitivamente, há uma crise de liderança numa altura em que ela mais é necessária.

3. Está a aprender alguma coisa verdadeiramente interessante?

Instituto da Inteligência, 2007
Uma das principais razões para frequentar uma escola de gestão é aprendermos alguma coisa (há outras duas, aparentemente mais importantes, de acordo com o irreverente e lúcido Seth Godin: a primeira é a procura de projecção pessoal obtida graças ao nome (marca) da escola e a segunda é criar um rede de contactos com os alunos mais promissores na expectativa de, no futuro, estes nos ajudarem a arranjar um emprego de gestão, se possível bem remunerado).
Mas se ambicionarmos encontrar uma escola de gestão para aprendermos a gerir corremos o risco de não acertar em nenhuma, diz Godin. Isto porque pouco de verdadeiramente importante se aprende nessas escolas considerando que o mundo se alterou de forma inesperada (a maioria das escolas de gestão ainda está fortemente marcada pelas práticas de administração dos anos 60, em plena Era Fabril).
Peça às pessoas que prosperam na economia actual que lhe indiquem uma mão cheia de dicas para o êxito e a lista não deverá andar longe disto:
1º Procurar, contratar e gerir pessoas brilhantes.
2º Abraçar a mudança e avançar rapidamente.
3º Compreender e destacar-se no desenvolvimento de negócios e acordos comerciais.
4º Determinar as tarefas prioritárias num trabalho que muda todos os dias.
5º Vender (isto é, saber vender a pessoas, a empresas e a mercados).
6º Fazer projectos de vida a longo prazo.
7º Trabalhar com capitalistas de risco e outras fontes de financiamento.
8º Ser criativo.
9º Aprender a perceber o impacto das novas tecnologias.
Etc. , etc.
Ora nada isto nos ensinam nas escolas de gestão. Muitos destes temas nem sequer são aflorados ao de leve. "É só observar o programa curricular central de um MBA de 55 mil dólares em gestão. Não encontrará qualquer destaque dado a qualquer destes pontos" - garante Godin, que acrescenta: "Os meus alunos de MBA na Universidade de Nova Iorque nunca tiveram um curso de vendas, nunca aprenderam a fazer uma apresentação, mas eram peritos em contabilidade de custos, em compreender eficiências de fabrico e em aplicar a Fórmula de Black-Sholes para determinar valores de opções".
Ora bem. Será a experiência e o contacto com o mundo real que vai dar aos alunos aquilo que deveriam aprender nas ditas escolas de gestão? Em parte sim (demorará anos!) mas também pode acontecer que nunca aprendam, por exemplo, a vender com sucesso as suas ideias ou a ter sequer ideias realmente interessantes.
Outra possibilidade é desatarem a comprar livros de como-fazer para aprenderem o(s) caminho(s) para o êxito. Por isso, os livros assinados por gestores e visionários de sucesso são frequentemente sucessos de vendas. É lá que se aprendem coisas verdadeiramente impensáveis de ouvir falar (em profundidade) nas escolas de gestão convencionais. Apesar destas lacunas, as escolas de gestão continuam a ser um grande negócio para os seus proprietários. Precisamente pelas duas primeiras razões que leva os alunos a frequentá-las (se já se esqueceu de quais são, regresse ao início deste texto).
(Texto inspirado na inteligência e na obra de Seth Godin, "Torne-se Pequeno e Pense em Grande!", Edit.Presença, 2007). Site do autor: http://sethgodin.typepad.com/. Para quem não saiba ainda, Seth Godin é autor de sete bestsellers vendidos em mais de 15 países (incluindo As Mentiras do Marketing) e o seu blogue um dos mais lidos na Internet.

2. Boas leituras

"Leadership and Values within Organizational Cultures", de Kip Frame, Partner e General Manager da Axialent Asia Pacific:
http://www.axialent.com/uploaded/press/Interview%20Kip.pdf

1. Psicologia Integral? O que é isso?

Para que serve saber mais sobre o conceito desta nova corrente da psicologia? Essencialmente para ampliarmos a nossa visão sobre o mundo e em particular sobre os humanos e as suas tribus (empresas, clubes, etc.). Isso implica um exercício de abertura da mente para um novo entendimento de como as coisas funcionam.
Numa sociedade que se estratificou e se multiplicou em especializações infindáveis perdemos um pouco o sentido do todo e de como cada "ambiente" se cruza e interfere com os restantes (o mental, o biológico, o social, o cultural, o económico, etc.) quer a nível pessoal quer colectivo.

Consulte www.territoriosdamente.blogspot.com.

Entrevista revista ExcluSIVA

SOBRE O CÉREBRO E AS NOVAS TECNOLOGIAS
Entrevista de Nelson S Lima, Coordenador Nacional do Instituto da Inteligência, à reporter ANA ESTEVES, em Julho de 2007, para a ExcluSIVA, a revista corporate da SIVA (importador da Wolkswagen e Audi, entre outras marcas automóvel).
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Ana Esteves: 1. De que maneira é que as novas formas de comunicação que surgiram com tecnologias como o telemóvel e a internet (sms, e-mail, messenger, chat) alteraram as relações sociais, de trabalho, familiares? De que forma é que essas alterações condicionam os nossos processos psicológicos e de conhecimento?
Nelson Lima: 1. As novas formas de comunicação estão sobretudo a permitir uma rapidez de contactos nunca antes imaginada. É dessa rapidez que a sociedade está a tirar maior partido ampliando as escolhas e acelerando as tomadas de decisão. A informação está alcance de qualquer um permitindo formar e reunir conhecimento de uma forma espantosa. Isso tem favorecido sobretudo o mundo dos negócios e o mundo cientifico pois são áreas que se alimentam da informação e do saber. A maioria das pessoas, porém, ainda não sabe aproveitar, porém, a riqueza de informação e conhecimento que tem ao seu alcance. Aumentaram os contactos interpessoais graças aos telemóveis e ao computador mas apenas uma pequena percentagem de pessoas está a tirar amplo partido das imensas possibilidades que toda esta tecnosfera que envolve o Planeta.

2. Da sua experiência no contacto com crianças e jovens, como sente que estas novas formas de comunicação condicionam o seu pensamento, a sua forma de aprender e de se relacionarem?
2. Infelizmente, a maioria das crianças e jovens usa as novas formas de comunicação para brincar e tagarelar. Poucas são as que sabem (ou estão interessadas e despertas) para ir além disso. A internet, por exemplo, é escassamente utilizada em trabalho de pesquisa. Muitas vezes é apenas uma fonte de plágio. Precisamos de mais 2 ou 3 gerações para que o panorama se altere e a pessoa comum mergulhe na sociedade da infomação. Não é de estranhar. Todas as grandes inovações - telefone, radio, aviação, etc. - demoraram tempo a vulgarizar-se e a alterarem hábitos e comportamentos.

3. Que diferenças fundamentais encontra entre as novas gerações, que estão permentemente on line, em conectividade constante, que estabelecem contacto com pessoas que não conhecem pessoalmente, em qualquer parte do mundo, e as gerações que não dominam estas novas tecnlogias e formas de comunicar?
3. Tagarelar é o passatempo preferido da maioria das pessoas que usam as novas tecnologias fora do ambiente profissional. Com as crianças acontece o mesmo. Estabelecem redes de relacionamentos muitas vezes estéreis, perfeitamente inúteis. Consomem muitas horas on line em jogos e conversas. Navegam pouco em busca de conhecimento. Há uma grande diferença entre as duas realidades. Convém percebermos que não é o número de horas on line que conta mas o que se faz com essa conectividade. Procurar, descobrir e gerir a informação e o conhecimento é diferente de procurar pessoas para simplesmente conversar. Não nos iludamos.

4. Corre-se o risco de a realidade virtual substituir a vida real, os contactos pessoais, as experiências no mundo lá fora? O risco de os écrãs se tornarem dominantes em relação ao contacto directo?

4. Por enquanto isso só poderá acontecer em casos isolados e sobretudo com alguns jovens e adultos que se refugiam no mundo virtual. A realidade a três dimensões da nossa vida ainda é mais forte e atraente do que a realidade virtual. Está será sempre uma dimensão complementar. A não ser que, num futuro qualquer, a tecnologia nos venha a retirar a natureza humana de que somos feitos.

5. Como são o ensino e a aprendizagem condicionados por estas novas tecnologias?
5. O ensino e a aprendizagem poderão beneficiar profundamente com as novas tecnologias. A informação e o conhecimento estão ao alcance de qualquer um que tenha ligação à internet. Mas ainda estamos muito no início. Há muito mais a fazer do que colocar computadores nas escolas. A começar pelos professores que necessitam de uma nova formação, não apenas em tecnologias da informação como em gestão da informação e do conhecimento. Poucos a sabem verdadeiramente fazer!

6. É necessária uma adpatação cerebral a estas novas formas de comunicação? A exigência de rapidez, o facto de podermos ser permanentemente contactados, de que forma afectam o nosso rendimento, o nosso pensamento? São bons estímulos, ou fontes de stress?
6. O cérebro humano tem facilidade de adaptação às novas formas de comunicação, especialmente entre os mais jovens cujo cérebro está ainda em formação. O cérebro é um sistema processador de dados e de conhecimento. A maior ou menor facilidade de adaptação depende mais de factores culturais do que biológicos.

7. O que estamos a ganhar, enquanto indivíduos e enquanto sociedade, com estas novas formas de comunicação? E o que estaremos a perder?
7. Não estaremos a perder nada se soubermos usar inteligentemente as novas formas de comunicar,isto é, se soubermos gerir o tempo, se soubermos gerir as novas possibilidades, se soubermos, enfim, o que fazer com tanta informação disponível. Somos todos ainda aprendizes e, por isso, com uma enorme percentagem de ignorância para ultrapassar. Recordo sempre o que se passou com o caminho de ferro que demorou dezenas de anos a impor-se como meio de transporte moderno pois poucos eram capazes de imaginar para que realmente servia (na China, por exemplo, a população revoltada enterrou a primeira locomotiva e, em Portugal, o nosso Almeida Garrett, em nome de muita gente ilustre da Nação, indignou-se no Parlamento contra aquilo que considerava um invento perfeitamente inútil e perigoso!).





REVISTA SÁBADO

SOBRE A MEMÓRIA
Resumo da entrevista de Nelson S Lima, do Instituto da Inteligência, à jornalista CLAUDIA FARIA, da revista SÁBADO (em 26/12/05).

1- A memória é um tema muito estudado pelos investigadores portugueses?
1- A memória, porque é uma das mais importantes e indispensáveis capacidades para a vida, é um tema que tem sido abundadantemente estudado pelos neurocientistas de todo o mundo. Em Portugal, a neurociência está a dar os seus primeiros passos e muitos investigadores nacionais têm-se interessado não apenas pelo estudo da memória enquanto função central do cérebro mas também pela relação desta com as emoções, a personalidade, as doenças neurológicas, o envelhecimento, etc.

2- Qual é o aspecto da memória que mais usamos no dia-a-dia?
2- Usamos vários tipos de memória segundo a duração do tempo de fixação (imediata, de curto prazo e longo prazo), diferentes categorias segundo a modalidade cognitiva (memória episódica, memória semântica, etc), o tipo de função (verbal, espacial, musical, etc), os estímulos envolvidos (auditiva, visual, táctil, etc) e o nível de cognição utilizado (memória implícita ou não-consciente e memória explícita ou consciente). A memória mais central é a chamada "memória de trabalho" ou "operacional" que usamos permanentemente a fim de sermos capazes de ligar os acontecimentos momento a momento e executarmos tarefas com uma percepção sólida e coerente de continuidade.

3- É possível criar memórias de coisas que nunca aconteceram?
3- Memorizamos ideias, intenções, projectos, imagens e interpretações de acontecimentos que nunca presenciámos ou que, em si mesmo, nunca se concretizaram. Na verdade, memorizamos pensamentos que são acontecimentos mentais.

4- Como se consegue discernir entre uma verdadeira recordação e uma falsa memória?
4- A verdadeira recordação de tipo fotográfico ou audiográfico não existe a 100%. O cérebro, pela forma como evoca as memórias previamente registadas, altera as recordações pelo que um mesmo conteúdo pode assumir diferentes aspectos. É o caso, típico, da memória de um acidente presenciado por alguém que estava no local. Essa pessoa vê, interpreta e fixa todo um conjunto de dados que podem ser ampliados, reforçados ou reinterpretados devido às opiniões de outras testemunhas com quem troque impressões. A memória também faz interacção com as emoções pelo que duas pessoas ouvidas em separado podem descrever um mesmo acontecimento usando diferentes perspectivas e abordando-o de ângulos igualmente não coincidentes. Por isso é que os juizes ouvem as declarações das testemunhas em busca da verdade que resulte da filtragem de todos elementos: factos, similariedades de relatos, contradições, ideias, etc.

5 - Porque é que umas pessoas têm melhor memória do que outras?
5 - Isso depende de muitos factores (biológicos, psicológicos, ambientais, etc) que entram jogo na dinâmica da memória. Há pessoas que têm melhor memória auditiva, outras visual, e por aí adiante. Mas, em geral, a memória das pessoas funciona plenamente e sem perturbações. Mas os factores que mais prejudicam a saúde da memória são o stress, a fadiga, a alimentação incorrecta e o envelhecimento.

6 - Quais são as melhores estratégias para recordar? Pode dará alguns exemplos práticos do dia a dia? O que é que diariamente as pessoas podem fazer para melhorar a memória?
6 - As melhores estratégias para recordar começam com uma que é prioritária: a atenção aplicada nas actividades ou nos dados que queremos mais tarde recordar. A pressa e a desatenção são inimigas da memória pelo que devemos adoptar algumas regras básicas como buscar várias fontes de informação (por exemplo, para estudar um tema é útil fazermos uma pesquisa em torno do mesmo e não apenas uma apressada leitura), utilizar vários sentidos e dispositivos gráficos (ver, ouvir, imaginar, desenhar, fotografar, etc), etc. A memória é multifocal e, por isso, o registo pode ser amplificado se soubermos aceder às várias modalidades de aprendizagem. Actualmente há actividades que podem ajudar a reforçar o desempenho cognitivo, nomeadamente o da memória. Por exemplo, os exercícios de neuróbica e de neurofitness podem ajudar na qualidade da memória.

7 - O ambiente, os hábitos e a educação influenciam a memória?
7- Influenciam muito. Por exemplo, os hábitos de trabalho e o sentido de organização são determinantes. O trabalho executado com um plano prévio de tarefas (por exemplo, desdobrá-lo por etapas) ajuda o cérebro a facilitar o registo das informações que lhe são dadas. Também o ser-se organizado na disposição dos elementos que queremos aprender (dar-lhes uma classificação de prioridade, objectivos, etc) reforçam a capacidade de memorização.

8 - Qual é a importância da alimentação e do sono no que concerne à memória?

8 - São factores muito importantes. A alimentação saudável é regrada e equilibrada e, por isso, fornece nutrientes vitais para a função cerebral. Se assim não for, se nos alimentarmos de forma "desonesta" e adulterada expomo-nos a doenças, à rigidez cerebral e mental e ao declínio cognitivo (o excesso de radicais livres simplesmente fere de morte as células nervosas e diminuem as capacidades mentais do pensamento e do raciocínio). Também a falta de sono prejudica a memória: não apenas porque reduz a capacidade atenção como também complica todo o esforço metabólico ligado à fixação de memórias que a nível celular o cérebro necessita realizar durante as horas em que dormimos).

9- Qual é a melhor hora do dia para memorizar coisas?
9 - Depende das pessoas. Geralmente, os introvertidos parecem fixar melhor durante a manhã enquanto que as pessoas extrovertidas memorizam melhor à tarde e ao fim do dia. De facto, a natureza da personalidade parece ter uma palavra a dizer visto que ela tem como alicerces determinadas estruturas biológicas que também estão implicadas na memória e noutras actividades cognitivas.

10 - Deve-se estudar na véspera de um exame?
10 - Talvez as pessoas precisem de estudar nas vésperas de um exame por diferentes razões: umas porque querem reforçar e consolidar o que já sabem, outras porque se sentem mais seguras, enfim, outras porque acreditam que assim é melhor e ficam mais tranquilas. Mas o ideal é mesmo fazer-se uma aprendizagem gradual (diz-se significativa) que dê tempo à consolidação dos conhecimentos. Estudar de véspera pode gerar ansiedade suficiente para bloquear a memória. Isso acontece com 20 a 30% dos alunos das nossas escolas.

11- Tudo o que vivemos fica gravado em algum lugar da nossa memória?
11- Nada fica gravado como uma fotografia mas os dados ficam de alguma forma preservados . Estima-se que o cérebro de uma pessoa culta de 80 anos pode ter armazenada informação suficiente para que encher 30 milhões de livros de 500 páginas e que se distribui por diferentes categorias de memória: autobiográfica, semântica e procedimental. O que acontece é que a grande maioria da informação está indisponível quer no subconsciente quer no inconsciente das pessoas a fim de libertar a mente daquilo que seria um pesadelo se estivessem impedidas de esquecer.

12 - O que é um dejá vu?
12 - É um sentimento de revivescência de algo passado e não de uma recordação. Resulta de coincidências de natureza subjectiva presentes num determinado momento e que captamos de forma emocional.

13 - O que é a amnésia?
13- Significa falha ou perda de memória. Em certos casos patológicos pode assumir formas e graus de gravidade diversas. Existem também as alterações qualitativas da memória (paramnésias) e também os chamados "transtornos do reconhecimento". São diferentes patologias e cuja repercussão na qualidade de vida varia de caso para caso.

14 - Porque é que retemos umas memórias e não outras?
14 - Geralmente retemos e lembramo-nos depois melhor aquelas memórias que nos marcam emocionalmente ou que foram significativamente importantes para nós.

15- Sem a memória não poderíamos aprender e por consequência evoluir enquanto espécie. Qual é a verdadeira importância que a memória tem para o ser humano?
15 - A nível individual ela permite-nos construir o nosso eu a partir da elaboração mental da nossa própria história de vida dando-nos um sentido de existência e de coerência entre as diferentes vivências quotidianas. A nível colectivo ajuda-nos a desenvolver o sentido social e de pertença que une todos os membros da comunidade e da propria espécie.

16 - Conseguimos compreender de facto como funciona o cérebro ao nível da memória?
16 - Embora nem todos os fenómenos estejam totalmente descodificados o funcionamento da memória está bem compreendido hoje em dia.

17 - Quais foram as últimas descobertas cientificas sobre a memória?
17- Houve várias. Destaco principalmente as que se têm debruçado sobre a relação entre as emoções e a memória, as que estudam os processos degenerativos que podem afectar a memória devido ao abuso de drogas, álcool e tabaco, stress, ao envelhecimento.

Entrevista revista JUST LEADER

SOBRE O NEUROMARKETING
O jornalista DIOGO ARCHER escreveu um excelente artigo sobre Neuroconomia na revista Just Leader, de Junho 2007 auscultado vários especialistas. Fica aqui o texto integral das respostas dadas por Nelson S Lima, do Instituto da Inteligência.

1- Como surgiu o seu interesse pelo neuromarketing?
1- O meu interesse surgiu como resultado da confluência de trajectórias profissionais: durante cerca de 20 anos trabalhei em marketing em diferentes empresas e nos últimos 10 envolvi-me mais na área da neurociência e da neuropsicologia. Por isso, o neuromarketing tornou-se para mim um tema apetecível como área de estudo e tenho procurado acompanhar os seus desenvolvimentos, em particular os relacionados com a neuroeconomia visto que esta é uma disciplina mais completa e abrangente e ajuda a explicar os comportamentos das pessoas na sua relação com o consumo e o dinheiro.

2- O que é exactamente o neuromarketing?
2 - O neuromarketing é uma disciplina que procura compreender melhor o impacto dos estímulos relacionados com o consumo no sistema cérebro/mente do consumidor. Na verdade, o que se pretende com o neuromarketing é ir além daquilo que os antigos estudos de comportamento e das reacções do consumidor revelam. É um método do tipo "tudo ou nada", se bem que ainda carente de mais avanços científicos e tecnológicos que permitam compreender o que acontece na "cabeça" das pessoas quando estas estão em contacto com os "estímulos" de marketing (produtos, marcas, publicidade, etc.). Digo "tudo ou nada" porque objectivamente pretende-se compreender o porquê das reacções para que se possam afinar as "mensagens" mercadológicas.

3 - É possível separar as emoções da razão no momento da escolha ou o homem não é sempre racional nas suas opções?
3- A racionalidade pura não existe a não ser num campo muito restricto de escolhas, provavelmente naquelas que contêm menor risco. Qualquer escolha comporta espectativas e a obtenção de resultados. Envolve, por conseguinte,sempre um certo nível de risco. Toda a análise que um consumidor faça sobre o que que estiver em jogo numa qualquer compra pretende ser objectiva e isenta de devaneios. Mas não consegue abstrair-se, mesmo queinconscientemente, do universo das sua emocionalidade. Antigamente acreditava-se que era de forma quase linear e lógica que as decisões de compra se faziam. Hoje sabe-se que mesmo as decisões menos exigentes sãoinfiltradas pelos estados emocionais do momento e dos sentimentos de fundo presentes durante os processos de compra (observação, análise, comparação, avaliação dos riscos, etc., etc.), tanto do consumidor como daqueles que orodeiam e que o podem influenciar nas suas preferências e escolhas.

4 - Metas futuras do neuromarketing e o que pode reservar esta nova disciplina para o futuro?
4- Pessoalmente não estou totalmente convencido que o neuromarkting possa ir muito mais longe do que aquilo que hoje se conhece. A massificação compacta do consumo está em declínio e assistiremos cada vez mais a uma pulverização de produtos e marcas que terão de lutar taco a taco para conquistar os consumidores. O que as neurociências poderão fazer no auxílio do marketing é testar ideias, produtos e mensagens com vista a encontrarem-se as melhores soluções mas ficarão de fora sempre muitos aspectos que são totalmente do domínio da mente e que, para já, nenhuma neurotecnologia é capaz de invadir e isolar para efeitos de observação.

5 - O neuromaketing é correcto do ponto de vista ético?
5 - Até ao momento não consta que as experiências de neuromarketing tenham criado problemas de natureza ética, se bem que algumas pessoas menos informadas receiem que colocar o cérebro do consumidor sob auscultaçãoelectrónica signifique invadir e prescrutar os seus pensamentos e sentimentos. Eu diria, com algum cepticismo, que o neuromarketing, tal como hoje se encontra, tem mais interesse académico e científico do que verdadeiramente prático e utilitário para as empresas.

Entrevista DIÁRIO DA MANHÃ (Brasil)

SOBRE NEUROMARKETING
Entrevista com Nelson S Lima, do Instituto da Inteligência (Portugal), conduzida pela jornalista Giselle Vanessa.

Um estudo realizado por economistas e psicólogos das universidades Carnegie Mellon e Stanford e do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, dos Estados Unidos, colocou 26 voluntários perante simulações de compra numa tela de computador.
Cada um deles tinha um crédito de 20 dólares para gastar - ou levar para casa no bolso. Primeiro se expunha um produto, como uma caixa de chocolates e um DVD do seriado Sex and the City. Quatro segundos depois, surgia na tela o preço do produto. Na etapa final, os voluntários tinham também quatro segundos para decidir se compravam ou não cada item. Uma máquina de ressonância magnética analisava o nível de atividade de várias regiões do cérebro de cada voluntário, tomando como base o fluxo de sangue e o consumo de oxigénio. As conclusões foram surpreendentes.

Perguntas e respostas

1- A pesquisa americana pode significar uma revolução nas estratégias utilizadas pelo comércio?

1- A experiência realizada no MIT, vem confirmar o papel da emocionalidade nas tomadas de decisão, nomeadamente nas relacionadas com o uso do dinheiro. De facto, as emoções funcionam como um filtro através do qual avaliamos as situações muito rapidamente, interferindo em nossos juizos. Não há, por conseguinte, decisões de compra 100% racionais pois existe sempre uma avaliação emotiva (mais ou menos consciente e mais ou menos intensa) que se traduz em algo como "isto me agrada" ou "isto não me agrada". Nunca podemos esquecer que o cérebro sempre nos orienta no sentido da busca do prazer e da sobrevivência (mesmo quando não temos disso consciência) e isso influencia muito as decisões que tomamos, mesmo aquelas que nos parecem puramenteracionais.

2- Como os técnicos de marketing podem trabalhar essa descoberta para transformar esses resultados em crescimento do mercado publicitário ou os bancos para aumentar o volume de poupança?

2 - Durante muitos anos as empresas acreditaram que as decisões relacionadas com dinheiro eram sempre muito racionais e que dependiam fortemente da inteligência, da visão e da avaliação crítica das pessoas.Criaram-se então vários modelos de decisão de compra em que o consumidor aparecia como um sujeito operando maquinalmente e cumprindo várias etapas de raciocínio lógico. Mas muitas vezes os consumidores surpreenderam os especialistas com escolhas aparentemente irracionais, contrariando os estudos de mercado e as previsões. Havia algo que escapava a qualquer investigação e que apenas estaria presente nos momentos de decisão: as emoções! Assim, os modelos de decisão tiveram de ser revistos pois mostravam-se excessivamente grosseiros e imprecisos.

3- Os resultados podem servir de base para orientar investimentos futuros em habitação, educação e aposentadoria?

3 - Acredito que sim. O importante é que os investidores, as empresas e os técnicos tenham presente que todas as escolhas feitas pelos consumidores e que envolvam dinheiro nunca são ditadas na totalidade pela racionalidademas antes pela emotividade. Na avaliação dos factores em jogo numa tomada de decisão, os consumidores agem defendendo os seus interesses, fantasias, crenças, esperanças e tudo em nome do prazer (o qual pode assumir diferentes categorias e tonalidades). Assim, eu penso que o marketing do futuro ganhará força e precisão se estudar melhor as diversas facetas da personalidade, do temperamento e da emotividade dos consumidores as quais pesam mais nas decisões do que a inteligência e a racionalidade. Isso obrigará o marketing de massas a se transformar no marketing personalizado.

4- Como as novas técnicas de ressonância magnética conseguem revelar que as compras são movidas pela emoção e não apenas pela razão como até então acreditava a economia?

4 - As novas técnicas de investigação do cérebro humano estão mostrando precisamente a importância dos aspectos intrinsecamente emocionais das tomadas de decisão. Por isso é que muitas decisões são tomadas pelo cérebroantes mesmo dos sujeitos o terem percebido (através da consciência). As compras impulsivas, por exemplo, são geralmente inconscientes e emocionais.
5- Se as compras por impulso fazerm parte processo químico cerebral que foge à consciência, como contê-las, como conseguir controlar o orçamento, ou seja, domar a região emocional do cérebro e activar a da razão?

5 - Isso pode ser obtido através do esforço da educação, desde a escola. Na nossa sociedade, carregada de tantas ofertas e estímulos, precisamos de usar mais tempo para reflectir e aplicar o senso crítico, assim como aprendermosa planejar nossas acções. Neste campo, o estresse pode-nos impedir de racionalizar as decisões. Nosso estilo de vida também influencia a forma como decidimos sobre o consumo. Enfim, parece haver uma necessidade dereaprendermos a utilizar o dinheiro.

6- Qual a importância dessa descoberta para avanços futuros?

6 - É muito importante pois nos permite reequacionar sobre novas abordagens à psicologia do consumo. Na óptica das empresas isto significa reconhecer que o consumidor é definitivamente um sujeito imprevisível, podendo a todo oinstante contrariar as tipologias. Significa também a necessidade de um maior respeito pela individualidade dos consumidores e seus direitos. Para estes, estas descobertas confirmam a importância do auto-conhecimento. Querocom isto dizer que, para que as nossas decisões nos agradem e sirvam a nossa prosperidade, devemos melhorar o conhecimento a respeito de nós mesmos, nossas ideias, nossas crenças, nossas forças, nossas fraquezas, enfim, nossa personalidade. Só assim estaremos melhor preparados para viver equilibradamente numa sociedade de consumo que é cada vez mais variada, complexa e alucinante.
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